A comissão encarregada de investigar os ataques de 11 de setembro contra os Estados Unidos divulgou um relatório nesta quinta-feira apontando "profundas falhas institucionais" dentro do governo e detalhando as oportunidades não aproveitadas de impedir a ação dos terroristas, disseram autoridades norte-americanas.
Segundo uma autoridade do país que leu o relatório final, o documento confirmava que não tinha havido nenhuma "colaboração" entre o Iraque e a Al Qaeda, mas dizia terem ocorrido contatos entre os dois.
A comissão também detalha os contatos da rede com o Irã e com o Paquistão. Pessoas familiarizadas com o relatório disseram ter encontrado laços maiores da Al Qaeda com o Irã do que com o Iraque.
A autoridade norte-americana disse que o documento não responsabiliza nem o atual presidente norte-americano, George W. Bush, nem o antecessor dele no cargo, Bill Clinton, por não terem conseguido impedir as ataques.
"Ao invés de terem encontrado uma falha no nível presidencial, eles encontraram várias falhas, 'profundas falhas institucionais dentro do nosso governo"', afirmou a autoridade, citando palavras do relatório.
A comissão do 11 de setembro, integrada por cinco republicanos (governistas) e cinco democratas (oposição), mostrou-se determinada a apresentar um documento coeso sobre os ataques de 2001, nos quais foram mortas quase 3.000 pessoas. Mas as conclusões dela devem provocar debates acirrados entre os candidatos à Presidência que disputam o pleito deste ano.
Segundo os jornais The New York Times e The Washington Post, a comissão criticará o Congresso por não ter desempenhado seu papel de supervisor do combate ao terrorismo e das atividades dos serviços de inteligência e proporá reorganizar as comissões de deputados e senadores. O documento também deve criticar duramente a CIA (agência de inteligência dos EUA) e o FBI (polícia federal).
"Houve várias oportunidades para interceptar muitos terroristas. Obviamente, houve grandes oportunidades de interceptar algumas das atividades que resultaram naquele evento catastrófico", afirmou o deputado democrata Jim Turner.
O relatório apresenta uma lista de dez "oportunidades operacionais" de penetrar no plano de ataque e que foram desperdiçadas pelas agências de inteligência dos EUA. O documento, porém, não diz abertamente que a ação poderia ter sido evitada.