Rio de Janeiro, 28 de Janeiro de 2026

Relatório diz que favelas do Rio cresceram 81% em 40 anos

Ministério Público divulgou levantamento sobre o crescimento de favelas na Zona Sul do Rio. O estudo, feito em parceria com o Exército, mostra que entre 1965 e 2005 548 mil metros quadrados de Mata Atlântica foram consumidos. (Leia Mais)

Quarta, 06 de Junho de 2007 às 07:35, por: CdB

O Ministério Público do Rio de Janeiro divulgou um levantamento sobre o crescimento desordenado de quatro comunidades da Zona Sul da cidade. O estudo, feito em parceria com o Exército e com base em imagens aéreas, mostra que entre 1965 e 2005 a favelização na região consumiu 548 mil metros quadrados de Mata Atlântica.

De acordo com os dados, as comunidades Chácara do Céu, Vidigal, Rocinha e Parque da Cidade cresceram 81% nesses 40 anos. Para o promotor Carlos Frederico Saturnino, da 1ª Promotoria de Tutela Coletiva do Meio Ambiente, o levantamento serve de alerta ao Poder Público.

O estudo constata que o espaço de expansão das comunidades da Zona Sul carioca equivale a 64 campos de futebol do tamanho do Maracanã. De acordo com as análises do MP e do Exército, a favela do Vidigal foi a que mais cresceu horizontalmente: cerca de 216 mil metros quadrados. O "boom" do aumento nessa região se deu, principalmente, entre 1965 e 1985, quando a ocupação triplicou de tamanho, chegando a 376 mil metros quadrados.

A menor expansão encontrada foi na comunidade Chácara do Céu, que nos últimos 20 anos cresceu apenas 2,2 %. Segundo o promotor, o aumento da favela, localizada entre a Rocinha e Parque da Cidade, aconteceu verticalmente por não haver mais possibilidade de expansão horizontal.

O Saturnino vai encaminhar o levantamento aos órgãos ambientais, sociais e de habitação da União, Estado e Município. Ele vai estudar ainda diretrizes, que posteriormente também deverão ser encaminhadas ao Poder Público, que levem à regularização fundiária, inclusão social, contensão da expansão vertical e horizontal e pacificação social.

O promotor esclarece que se nenhuma providência seja tomada, o MP deverá entrar com novas ações na Justiça. Nos casos envolvendo a Rocinha e Vidigal, já há três Ações Civis Públicas desde o início da década de 90. No entanto, nenhuma das três possui sentença, sequer em primeira instância.

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