No ano passado, 39 pessoas foram assassinadas em conflitos de terras em todo o país. Apesar de o número ser menor que o de 2003, quando ocorreram 73 mortes, o número de pessoas envolvidas nos conflitos, seja por ocupações, acampamentos, trabalho escravo ou desrespeito à legislação trabalhista, subiu de 1.690, em 2003, para 1.801, em 2004. As informações são do relatório Conflitos no Campo Brasil 2004, elaborado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) e lançado nesta treça-feira em Brasília.
Para o presidente da CPT, Dom Tomás Balduíno, o fato de o número de conflitos no ano passado ter sido o mais alto em 20 anos, desde que a instituição começou a publicar o relatório, deve-se aos fazendeiros, que se julgam os donos da terra.
- De um lado, o pessoal que não desiste de procurar a terra e, do outro, os pretensos donos da terra, que contam com o apoio institucional porque sabem que existe impunidade - afirmou.
O secretário nacional da CPT, Antônio Canuto, revelou que, neste ano, houve um aumento de 6% no número de registros no campo, em comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo Canuto, esses números não representam a realidade.
- São os números que conseguimos registrar. A realidade é muito pior - disse ele.
A publicação da CPT lembra o assassinato da missionária americana naturalizada brasileira Dorothy Stang, em Anapu, no Pará, no início deste ano.
- A pistolagem no Pará virou uma profissão. Em qualquer lugar se encontram pessoas para fazer esse tipo de negócio - afirmou o coordenador nacional da CPT, José Batista Afonso.
A Comissão Pastoral da Terra defende a federalização da investigação do assassinato da irmã Dorothy. Para José Afonso, é a melhor forma de fazer justiça nesse caso.
Dom Tomás Balduíno destacou que a luta pela terra é um direito de todos.
- Do lado dos trabalhadores, dos índios, dos quilombolas, do povo da terra, a perspectiva é de vida. Esse pessoal está na terra, mas a luta desse povo ultrapassa o chão e se torna a construção de um Brasil que nós queremos - afirmou.
Relatório da CPT aponta crescimento do número de conflitos agrários
Terça, 19 de Abril de 2005 às 12:35, por: CdB