A Agência Internacional de Energia (AIE) prevê que a produção de petróleo no Brasil em 2008 vai atingir uma média de 2,15 milhões de barris por dia, ante a média de 1,9 milhão de barris deste ano.
"Projetos em águas profundas nos campos de Roncador, Polvo, Golfinho, Piranema e Marlim Leste sustentam potencialmente o ano de aumento mais forte na produção do Brasil já registrado", descreve a agência em seu relatório mensal, divulgado nesta sexta-feira.
Segundo a AIE, a produção brasileira de biocombustíveis, em sua maioria composta de etanol (álcool combustível), deve crescer em média 50 mil barris diários em 2008, atingindo 360 mil barris diários.
"O etanol brasileiro tem vantagens competitivas em relação aos custos de produção, o uso de terras para agricultura, e de infra-estrutura, quando comparado aos biocombustíveis em outros países, sustentando seu crescimento de médio prazo", disse.
A produção mundial de biocombustível - principalmente etanol e biodiesel - deve crescer 32% em 2008, atingindo 1,45 milhão de barris diários. Segundo a agência, essa performance será semelhante à registrada neste ano. O crescimento da produção de biocombustíveis nos países da Europa Ocidental representará 38% da expansão global da oferta do produto em 2008.
Opep
A AIE voltou a pedir à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) para elevar a sua produção para aliviar a pressão altista sobre os preços da commodity neste segundo semestre. A agência reduziu em 100 barris diários, para 86 milhões de barris diários, sua previsão de crescimento do consumo mundial de petróleo neste ano, mas disse que a demanda deve ter uma alta robusta de 2,5% em 2008, somando 88,2 milhões de barris diários.
Apesar dessa previsão de forte aumento do consumo no próximo ano, a agência avalia que perspectiva para o balanço entre a oferta e demanda mundial de petróleo poderá ser um pouco menos apertada em 2008 do que em 2006 e 2007, por causa do aumento da produção de biocombustíveis (350 mil barris por dia), da produção dos países que não são membros da Opep (650 mil barris por dia) e do aumento da capacidade ociosa do cartel (1 milhão de barris por dia). Isso sugere que a pressão altista sobre os preços pode declinar no próximo ano.