Divulgado nesta terça-feira, o relatório Oportunidades e Riscos Estratégicos para a Economia Espanhola recomenda que Brasil e Espanha reforcem suas relações econômicas bilaterais e com os países latino-americanos, em vez de apostar na relação comercial com os EUA, que "parecem estar priorizando os países emergentes asiáticos".
- Quem está se encarregando de que a América Latina não perca a importância (econômica) é o Brasil - disse a jornalistas internacionais o economista Alfrado Arahuetes, um dos autores do estudo.
O estudo, elaborado pelo Real Instituto Elcano, traz um resumo de forma comparada das oportunidades e riscos das economia espanhola, brasileira, norte-americana e alemã e de suas interdependências.
- O Brasil não quer perder relação com os grandes - continua Arahuetes, sobre os Estados Unidos, principal sócio comercial e investidor, ou a União Européia, com especial ênfase na Espanha.
O economista, no entanto, assinala que "tem um enfoque forte com a América Latina".
- Este giro para a América Latina aconteceu nos últimos 12 ou 13 anos, mas é um fenômeno que vai além - reforça Arahuetes.
A Espanha e, com uma ênfase menor, o restante da União Européia, também significam "oportunidades estratégicas" para o Brasil, que tem ainda as atenções voltadas para a Ásia, com grandes possibilidades no Japão, China, Coréia do Sul e Taiwan.
- Nesta parte do mundo, a Espanha tem pouca presença nas dinâmicas asiáticas, mas está cada vez mais presente na Índia - acrescentou Arahuetes. Ele acredita que a "Espanha compartilha com o Brasil este vínculo com a América Latina".
Para o embaixador brasileiro em Madri, José Viegas Filho, as relações hispano-brasileiras são "especiais, estratégicas".
- O Brasil se encontra em um momento economicamente exuberante - completou.
O diplomata afirma que o Brasil é "o maior mercado emergente do mundo, que recebeu US$ 34 bilhões em investimentos diretos em 2007 com uma inflação razoável, em torno de 4,5%".
- O Brasil representa uma oportunidade estratégica para a Espanha, que é o segundo investidor no país sul-americano - emendou Paul Isbell, pesquisador do Instituto Elcano e coordenador do relatório apresentado em Madri.