Essa foi uma das constatações dos relatores da Plataforma Dhesca que viajaram o país para mapear casos e sugerir políticas de enfrentamento
09/12/2010
Jorge Américo
Radioagência NP
O Plano Nacional de Energia Elétrica brasileiro prevê a construção de mais quatro usinas nucleares, que deverão entrar em funcionamento até 2030. Em Caetité, na Bahia, está localizada a única mina de urânio em operação no Brasil. Um relatório apresentado nesta quarta-feira (8), na Câmara dos Deputados, denuncia que a extração do mineral está afetando a saúde da população local. Para Alexandre Ciconello, integrante da Plataforma Dhesca, há uma dificuldade de acesso às informações, pois a mina é considerada uma área de segurança nacional.
“Existem várias denúncias feitas pela população local de vazamento de urânio, que está contaminando mananciais e lençóis freáticos da região. Existem estudos científicos que indicam que a quantidade média de urânio no organismo daquela população é cem vezes maior do que a média mundial.”
Esta é uma das denúncias identificadas pelos Relatores dos Direitos Humanos da Plataforma Dhesca, que viajaram pelo país entre 2009 e 2010 para mapear as violações e sugerir políticas de enfrentamento. Um dos relatores visitou presídios femininos e encontrou situações degradantes, como relata Alexandre.
“É uma situação calamitosa. Presença de ratos, lixo e denúncias graves de confinamento de presidiárias no Rio Grande do Sul, negando os medicamentos antiretrovirais para as presidiárias que têm HIV/Aids. Para a relatoria, neste caso, é uma forma de tortura e até mesmo uma tentativa de matar do Estado.”
A relatoria investigou as ameaças de despejo vividas por comunidades das cidades que receberão jogos da Copa do Mundo de 2014. Também foram identificados inúmeros casos de violação de direitos relacionados à liberdade religiosa nas escolas.