Rio de Janeiro, 24 de Março de 2026

Relatório aponta indícios de execução na semana dos ataques do PCC

Terça, 17 de Outubro de 2006 às 08:29, por: CdB

O relatório da comissão independente criada para apurar os homicídios ocorridos no estado de São Paulo a partir de 12 de maio, quando houve os ataques da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), concluiu que, entre os casos examinados, "certamente" há indícios de execução.

"Em primeira estimativa, seria razoável admitir que cerca de 60% a 70% dos casos apresentam indícios de execução, em função da ocorrência simultânea de três fatores: disparos que atingiram as vítimas em regiões de alta letalidade, como tórax, abdome e cabeça; grande parte dos tiros foram dados a pouca distância; e número expressivo de disparos de cima para baixo", diz o texto do relatório.

O documento foi apresentado nesta terça-feira pelo Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH).

A comissão é formada por representantes do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana de São Paulo (Condepe), do CDDPH, da defensoria pública de São Paulo, da ouvidoria da polícia paulista, além de entidades da sociedade civil.

A comissão também recebeu colaboração e acompanhamento do Ministério Público Federal e do Conselho Regional de Medicina (CRM) de São Paulo.

Entre os dias 12 e 20 de maio, ocorreram 493 mortes no estado de São Paulo, decorrentes de ferimentos por arma de fogo de grosso calibre.

- Acho que, no Brasil, nunca houve uma lista tão vasta de mortes em uma semana -, afirmou a presidente do Condepe, Rose Nogueira.

O relator da comissão, Paulo Mesquita, do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo, afirma que, apesar dos indícios, ainda não é possível afirmar com precisão que as mortes realmente foram execuções.

Segundo ele, como todas as mortes foram causadas por arma de fogo, algumas podem não estar relacionadas ao caso.

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