As informações pré-guerra da Grã-Bretanha sobre o poder bélico do Iraque continham "várias falhas graves", mas o premier Tony Blair não foi responsabilizado, disse um relatório nesta quarta-feira.
"Nenhum indivíduo é culpado. Essa foi uma operação coletiva", disse Lord Butler a jornalistas após divulgar um relatório que também dizia que Saddam Hussein não possuía armas proibidas prontas para o uso antes da invasão liderada pelos EUA ao Iraque.
Suas descobertas fizeram eco à conclusão, na semana passada, do Senado dos EUA, que criticou os serviços de inteligência norte-americanos por terem exagerado a ameaça do Iraque, mas que dizia que não havia sinais de que o presidente George W. Bush havia pressionado analistas para alcançar conclusões pré-estabelecidas.
O relatório de Lord Butler, que demorou cinco meses para ficar pronto, diz que Bagdá "não tinha estoques significantes de armas químicas ou biológicas prontas para o uso, nem planos para usá-las".
O Comitê de Inteligência Conjunta (JIC, na sigla em inglês) reuniu um dossiê sobre os armamentos do Iraque em 2002, mas esteve sob "pressão" devido a um clima politicamente carregado enquanto os relatores buscavam ser neutros e objetivos.
Butler disse que, no futuro, deveria haver linhas divisórias mais claras entre os que reúnem informações e os que fazem política. Mas acrescentou: "Não houve tentativa deliberada da parte do governo para atrapalhar o trabalho (da comissão)". Nenhuma arma foi encontrada no Iraque, mais de um ano depois de Saddam ser deposto.