Rio de Janeiro, 01 de Novembro de 2026

Relatório apóia o planejamento familiar e acesso a contraceptivos

Quinta, 01 de Maio de 2008 às 09:19, por: CdB

Os resultados do relatório Aborto e Saúde Pública, elaborado por pesquisadores de duas universidades brasileiras - de Brasília (UnB) e do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) - confirmam a posição do Ministério da Saúde de que a interrupção induzida da gravidez é um problema de saúde pública.

A avaliação é do diretor do Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas do ministério, Adson França. Segundo ele, o relatório é a fonte mais qualificada dos últimos tempos sobre o problema do aborto no país, já que reuniu todas as evidências científicas sobre o tema e incluiu estudos realizados por métodos de urna, que diminuem o constrangimento para as mulheres pesquisadas, garantindo maior confiabilidade aos dados.

Para o diretor, a informação mais relevante do estudo é que a quantidade de mulheres que abortaram no país, cerca de 3,7 milhões, está bem acima da estimada em pesquisas anteriores, em torno de 1,5 milhão, e foi obtida a partir de questionamentos diretos às mulheres.

– O quantitativo de interrupções é muito maior do que a gente falava que existia e que setores religiosos diziam que eram números exagerados – afirmou.França também destacou a constatação de que mais de 80% das mulheres que praticaram o aborto já eram mães.

– Isso nos mostra que não se trata apenas de um problema inicial de desconhecimento de métodos ou de uma primeira relação sexual – declarou.

Segundo ele, os dados apontam para a manutenção e o fortalecimento das ações que já vêm sendo adotadas pelo governo federal.

– Com essa pesquisa, o ministério vai continuar na linha que vem trilhando: fortalecimento do planejamento familiar e amplo acesso gratuito a todos os métodos contraceptivos à população – concluiu.

Segundo ele, neste ano, o Ministério da Saúde distribuiu 10 milhões de cartelas de anticoncepcionais orais e até outubro irá disponibilizar outros 50 milhões. Além disso, também irá repassar aos municípios, em 2008, cerca de 4 milhões de ampolas de anticoncepcionais injetáveis de doses mensais ou trimestrais e mais de 330 mil dispositivos intra-uterinos (DIU).

Ele lembrou ainda a reafirmação da política de estímulo à dupla proteção, com uso de preservativos associados a outros métodos anticoncepcionais, que além de evitar a gravidez protegem contra a aids e doenças sexualmente transmissíveis. De acordo com o diretor, do início do ano até agora foram distribuídos 22 milhões dos 122 milhões de preservativos comprados pelo ministério para 2008. Para França, o fato de a maioria das mulheres que abortaram ter utilizado métodos contraceptivos, principalmente a pílula anticoncepcional, indica que eles não foram usados corretamente e aponta para a necessidade de aprofundar o trabalho de informação.

Tags:
Edições digital e impressa