Rio de Janeiro, 27 de Outubro de 2026

Relatório alerta para risco de desastre bíblico no Iraque

A maior barragem do Iraque, situada em Mosul, corre risco de desabar e liberar cerca de quatro trilhões de litros d'água em questão de minutos, o que causaria a morte quase que instantânea de mais de 500 mil pessoas em duas das cidades mais populosas daquele país, segundo relatório do Grupamento de Engenharia do Exército dos EUA. (Leia Mais)

Terça, 30 de Outubro de 2007 às 08:36, por: CdB

A maior barragem do Iraque, situada em Mosul, corre risco de desabar e liberar cerca de quatro trilhões de litros d'água em questão de minutos, o que causaria a morte quase que instantânea de mais de 500 mil pessoas em duas das cidades mais populosas daquele país, segundo relatório do Grupamento de Engenharia do Exército dos EUA. Os dados alarmaram as forças de ocupação, após conhecer detalhes dos danos encontrados nas instalações que, uma vez agravados, poderão levar ao desmoronamento e à conseqüênte inundação de Mosul e de parte de Bagdá.

Segundo o engenheiro Abdulkhalik Thanoon Ayoub, signatário do relatório, "as condições da barragem de Mossul foram consideradas inaceitáveis diante das possibilidades de uma falha grave ao longo de um ano". As tentativas de sanar os problemas encontrados da estrutura da obra, ainda de acordo com o relatório, foram marcadas por "incompetência e desleixo" e os custos da reconstrução, orçados em US$ 27 milhões, "não significam uma solução permanente para as deficiências encontradas na barragem".

"Em termos de erosão interna das fundações, a Barragem de Mosul é hoje a mais perigosa do mundo. Se ocorrer apenas um pequeno problema, uma falha é praticamente certa", revela o relatório concluído em setembro de 2006, mas somente revelado nesta terça-feira. Os esforços para a prevenção de um acidente de proporções épicas na região nordeste do país têm sido motivo de debate entre as forças de ocupação dos EUA e o governo iraquiano. As Forças Armadas norte-americanas recomendaram a construção de uma nova barragem, alguns quilômetros abaixo no Rio Eufrates, mas autoridades locais discordaram dos planos devido aos custos apresentados.

Parte do relatório foi vazado por um integrante do exército dos EUA e se encontra na edição desta terça-feira do diário norte-americano The Washington Post. A fonte, que falou sob a condição do anonimato, disse ainda que o documento não foi divulgado no Iraque devido ao temor de uma onda de pânico na população. Ainda no relatório, o embaixador dos EUA no Iraque, Ryan C. Crocker e o comandante-em-chefe das forças de ocupação daquele país, general David H. Petraeus, escreveram em 3 de maio deste ano uma carta ao primeiro-ministro, Nouri al-Maliki, que "ao se assumir o pior cenário, um rompimento instantâneo da Barragem de Mosul causaria uam onda de mais de 20 metros de altura sobre a cidade de Mosul, o que significaria uma perda importante de vidas e propriedades".

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