Às vésperas da votação da primeira representação contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), no Conselho de Ética, dois dos três relatores do processo disseram que vão trabalhar para que o voto no colegiado seja aberto.
Os aliados de Renan iniciaram na semana passada manobras para tentar impor o voto fechado. A avaliação é de que isso reduziria a exposição dos senadores diante da opinião pública e facilitaria a absolvição.
O presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), aliado de Renan, é um dos defensores da idéia.
- Se no plenário do senado, que é soberano, o voto é fechado, não há razão para ser diferente no conselho - argumentou.
Os relatores do caso Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS) afirmaram que não concordam com o argumento de Quintanilha.
- Os relatores são senadores. Se nós temos de revelar o nosso voto por que os outros integrantes do conselho não têm? - questionou Marisa.
- O voto tem de ser aberto no conselho. Vou trabalhar para que isso aconteça, mas estou buscando base jurídica para batalhar para que a apreciação dos relatórios não seja fechada - avisou Casagrande.
A previsão é que o Conselho de Ética julgue na próxima quinta-feira a primeira representação, em que Renan é acusado de ter suas despesas pessoais pagas pelo lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior, incluindo a pensão para a jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha.
O presidente do Senado apresentou documentos de operações de venda de gado, para mostrar que tem recursos e não precisaria de ajuda da empreiteira. Mas perícia da Polícia Federal apontou irregularidades e inconsistências nos papéis.
Marisa e Casagrande não se sentiram convencidos pelas explicações apresentadas por Renan no depoimento dado quinta-feira e devem apresentar relatório propondo sua cassação. Enquanto Marisa vê quebra de decoro e questão política, Casagrande avalia que Renan cometeu crime fiscal.
- Só na terça-feira é que vamos saber se faremos um único relatório ou se cada um terá o seu - disse o senador.
- Estou trabalhando no relatório e pretendo ter uma conversa com o Casagrande para que na terça a gente feche em um único relatório ou cada um com o seu - completou Marisa.
O terceiro relator, Almeida Lima (PMDB-SE), aliado de Renan, disse ter ficado satisfeito com o depoimento. Ele já avisou que vai defender a absolvição do presidente do Senado.
DEM
Além de Marisa e Casagrande, a oposição também defende o voto aberto no Conselho de Ética. O líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), avisou que vai propor amanhã que os representantes de seu partido no colegiado - Demóstenes Torres (GO), Aldemir Santana (DF), Heráclito Fortes (PI) e Romeu Tuma (SP) - declarem o voto.
Os quatro devem se posicionar a favor da cassação de Renan.
- O DEM vai levantar questão de ordem para que o voto seja aberto - insistiu Agripino. - Não pode um senador ter uma posição ?confortável? de votar fechado enquanto os relatores expõem seu voto.
A senadora tinha dito na própria sexta que poderia pedir o áudio, caso desconfiasse da retirada ou inclusão de declarações. No fim de semana ela confirmou que vai pedir o áudio, mas não pelo "episódio com a Claudia, mas porque é praxe ouvir".