O Palácio do Planalto quer influenciar diretamente no texto do Código Florestal que tramita no Senado. Em encontro com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, os senadores Jorge Viana (PT-AC) e Luiz Henrique (PMDB-SC) — relatores do Código na Comissão de Meio Ambiente e da Agricultura, respectivamente — reforçaram a promessa de que as comissões trabalharão de forma articulada para construir um relatório conjunto."Se um ponto ou outro ficar divergente, o plenário do Senado vai ter maturidade de votar", disse Viana. Para Luiz Henrique, é preciso fazer "aperfeiçoamentos" para garantir que o projeto aprovado pelo Congresso não seja alvo de ações de inconstitucionalidade. Em maio, Izabella apresentou à bancada de senadores do PT 11 pontos que o governo pretende alterar. O Planalto avalia que um dos motivos para a derrota na Câmara foi a demora para entrar no debate, algo que espera reverter no Senado.
"Não podemos ter um texto que possa provocar contradições, que não seja recepcionado pela sociedade, que não esclareça para o agricultor familiar e para o agronegócio quais os seus direitos e como se regulariza a situação do passado e, mais do que isso, como nós avançamos em uma agenda ambiental sólida que tem a ver com o uso do território", disse Izabella.
Durante a votação na Câmara, as galerias foram tomadas por manifestantes favoráveis e outros contrários ao texto do relator Aldo Rebelo (PCdoB-SP). O clima foi tenso e houve bate-boca. Para Viana, o ambiente político do Senado é outro. "Tive uma conversa com Rebelo e ele reconheceu que o clima ficou de certa disputa. O Senado poderá agora deixar alguns pontos mais claros", afirmou.
Questionada sobre possíveis pontos de divergência entre as comissões — Henrique é ligado a ruralistas e Viana, a ambientalista —, Izabella disse que até agora viu "convergência absoluta". Também estiveram na reunião os presidentes das comissões de Meio Ambiente, Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), e de Agricultura, Acir Gurgacz (PDT-RO).
PCdoB
O líder do PCdoB, senador Inácio Arruda (CE), afirmou que defenderá a aprovação do novo código. Segundo ele, a votação na Câmara ocorreu após inúmeros debates em busca de consenso. “O resultado da votação, com 410 votos — 86% do total de deputados federais — pela aprovação, mostrou o quanto as várias reivindicações de preservação do meio ambiente e de fomento à produção no campo foram atendidas pelo relatório do camarada Aldo Rebelo”.
Segundo o parlamentar comunista, o Senado aprofundará ainda mais os debates sobre o código em busca do aperfeiçoamento do projeto. O texto será discutido em mais de uma comissão da Casa, o que possibilitará uma análise detida de seu conteúdo. “Estou certo de que as análises serão acompanhadas com interesse e receberão sugestões dos mais variados setores”, diz Inácio.
“Temos aqui vários parlamentares que estiveram à frente dos governos de seus estados e vivenciaram a necessidade de garantir a produção agrícola preservando o meio ambiente. Estamos buscando entendimentos para que o novo código garanta tranquilidade e segurança jurídica para o Brasil continuar a ser um grande produtor mundial, sabendo produzir de forma sustentável”, agrega.
Da Redação, com agências
Relatores do Código Florestal no Senado negociam texto conjunto
Quinta, 09 de Junho de 2011 às 05:56, por: CdB