Os relatores do processo disciplinar contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ouvirão nesta quarta-feira as denúncias do ex-secretário-adjunto da Secretaria Geral da Mesa do Senado Marcos Santi sobre os supostos favorecimentos a Renan ao longo de todo o processo.
Os relatores Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS), que já colheram informalmente impressões do servidor, também anunciaram que pretendem apresentar recurso, na reunião desta quinta-feira do Conselho de Ética do Senado, para que a votação do relatório sobre o caso Renan seja aberta.
O encontro ocorrido na manhã desta quarta-feira entre Marcos Santi e dois relatores do processo disciplinar de Renan representa mais uma reviravolta no caso, já que na terça-feira o ex-secretário-adjunto da Mesa do Senado anunciou seu afastamento do cargo por estar indignado com as supostas manobras feitas por senadores e funcionários da Casa a mando do senador alagoano.
A gota d´água teria sido um parecer da Consultoria Jurídica do Senado para realização de votação secreta do relatório do processo, algo que em tese beneficiaria Renan Calheiros - pois os senadores não se sentiriam constrangidos ante a sociedade para absolver o presidente do Senado.
"O técnico Marcos Santi está manifestando sua opinião, que demonstra a gravidade da situação, porque pelo relato informal que nos fez hoje houve em todo o processo nulidades sendo plantadas para beneficiar o senador Renan Calheiros. Essa é uma situação grave porque se isso aconteceu seria por si só quebra de decoro parlamentar (de Renan, implicando cassação de mandato)", afirmou Renato Casagrande, após o encontro informal com Marcos Santi.
Além dos três relatores do processo disciplinar (incluindo o senador Almeida Lima, PMDB-SE, aliado de Renan), a reunião para depoimento formal de Santi na tarde desta quarta terá a presença do corregedor do Senado, senador Romeu Tuma (DEM-SP). Mas, segundo Renato Casagrande, as informações a serem repassadas pelo ex-secretário-adjunto da Mesa não poderão ser agregadas ao relatório final do processo, porque represnetaria mais um atraso nos trabalhos.
"Mas o que ele está nos falando vai ajudar a formar nossa convicção (sobre o caso) e dos demais senadores", ponderou Casagrande, explicando que, se o depoimento de Santi fosse inserido no relatório, seria preciso dar o direito de defesa a Renan Calheiros, com abertura dos respectivos prazos legais e novo adiamento da votação do parecer dos relatores.