Rio de Janeiro, 14 de Agosto de 2026

Reitoria da Universidade Federal da Bahia é desocupada por alunos

Quinta, 14 de Agosto de 2003 às 00:27, por: CdB

Diálogo. Esta foi a receita utilizada para pôr fim à desocupação da Reitoria da Universidade Federal da Bahia (Ufba), no Canela.
 
O local foi ocupado por estudantes ligados ao Movimento Negro, que reivindicavam maior participação nas discussões sobre políticas afirmativas na universidade. Levando faixas e cartazes de protesto, os manifestantes invadiram a Reitoria na manhã de terça-feira e só retornaram para suas casas na noite de ontem, após uma reunião com o reitor da instituição, Naomar Almeida.

O fim do impasse só ocorreu mediante a promessa, por parte do reitor, de levar ao Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe) - órgão da Ufba responsável pela análise e aprovação (ou não) do projeto da universidade para implantação de políticas afirmativas - as principais reivindicações formuladas pelos estudantes.
Entre elas, a mais significativa diz respeito à inclusão de três membros ligados ao comitê pró-cotas no Grupo de Trabalho (GT) responsável pelo encaminhamento do projeto.
 
A próxima reunião do conselho está marcada para acontecer na segunda-feira, às 14h.

Reivindicando ainda isenção na taxa de inscrição para candidatos de baixa renda e a implantação de cota de 40% para negros e pardos no próximo processo seletivo da Ufba, o grupo de cerca de 50 estudantes não ficou satisfeito com as propostas apresentadas pelo reitor Naomar Almeida durante reunião realizada pela manhã e permaneceu acampado até às 20h, quando houve consenso.

A Reitoria da Ufba informou, através de sua assessoria de imprensa, que O Grupo de Trabalho deve analisar o projeto no prazo de 90 dias, mas em relação à substituição da prometida isenção da taxa de inscrição pela redução de valor - levando ao pagamento de R$15 - a Reitoria afirmou que o vestibular deve ser auto-sustentável, o que inviabilizaria o atendimento da reivindicação estudantil.
 
Atualmente, 7,5 mil alunos são beneficiados com o pagamento de uma taxa de R$15, enquanto os demais têm que desembolsar R$90. Caso aprovada, a isenção total da taxa de inscrição levaria a universidade a diminuir o número de candidatos contemplados.

Até o momento, está garantida a inclusão de um estudante representante dos afrodescendentes e um para representar os indiodescendentes no Grupo de Trabalho, mas há a promessa de tentar viabilizar a entrada de mais um estudante. A maioria dos manifestantes ficou satisfeita com o resultado da ocupação.
 
- A partir de agora podemos voltar para casa mais tranqüilos. A nossa idéia, a partir de amanhã, é acompanhar esse processo e ampliar as discussões para outras universidades - disse a estudante Daniele Costa.

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