Os islâmicos que têm proibida a entrada nos Estados Unidos verão também fechadas as portas do Reino Unido, em virtude de um projeto de lei que o Governo de Londres apresentará com caráter de urgência ao Parlamento.
Segundo fontes governamentais, citadas hoje, sexta-feira, por meios de comunicação britânicos, essas medidas estão destinadas a impedir que predicadores radicais corrompam com suas mensagens de ódio as mentes de jovens muçulmanos facilmente impressionáveis.
- Devemos ser muito cuidadosos com isto, mas é preciso parar essas pessoas - disse um ministro do governo ao jornal <i>The Independent</i>.
Entre os que seriam afetados pela proibição no futuro figura o conhecido e polêmico intelectual islâmico Tariq Ramadan, cidadão suíço e que participou de conferências sobre o Islã na Espanha, França e outros países.
Ramadan foi convidado como professor pela Universidade católica de Notre Dame (Indiana, EUA), mas o Governo americano negou no ano passado o visto, o que suscitou protestos em meios acadêmicos.
Esse intelectual, neto do fundador do movimento islâmico egípcio dos Irmãos Muçulmanos, foi convidado a uma conferência em Londres patrocinada e cofinanciada pela própria Polícia Metropolitana.
O The Sun, o tablóide de maior tiragem deste país, iniciou uma forte campanha contra sua presença, algo que indignou por sua vez os grupos muçulmanos do Reino Unido, que o consideram um intelectual de renome em toda a Europa e argumentam que condenou os atentados de 7 de julho em Londres.
Outro personagem que tem proibida a entrada nos Estados Unidos é Yusuf al-Qaradawi, um imame de 78 anos e origem egípcia que participou de alguns atos na Inglaterra junto ao prefeito esquerdista de Londres, Ken Livingstone.
Al-Qaradawi condena o homossexualismo, defende as surras nas mulheres e justificou em várias ocasiões os atentados suicidas em Israel, cujos autores classificou de "mártires".
As medidas anunciadas pelo governo podem resultar contraditórias como demonstra o fato de que um britânico a quem a imprensa classifica aqui de "eminente" como é Zaki Badawi, presidente do Conselho Britânico das Mesquitas, tenha visto proibida sua entrada na quarta-feira em território americano após chegar por via aérea a Nova York.
Badawi, que tem um título honorário britânico e esteve em um banquete oficial no palácio de Buckingham em honra do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, foi convidado a falar sobre A Lei e a Religião na Sociedade" na Instituição Chautauqua, de Nova York.
Segundo fontes governamentais, o Projeto de Lei contra o Ódio Racial e Religioso, que já teve sua segunda leitura na Câmara dos Comuns, mas no qual muitos vêem um ataque à liberdade de expressão, será utilizado para impedir que os religiosos islâmicos levem sua mensagem de ódio por este país.
O próprio primeiro-ministro, Tony Blair, iniciará consultas na próxima semana com os líderes religiosos para tentar obter seu apoio às novas medidas.
O Governo trabalhista renovou além disso seus esforços para chegar a acordos com países norte-africanos como Argélia, Tunísia e Marrocos que ofereçam garantias de que os islâmicos que Londres mandar de volta a seus países de origem não serão submetidos ali a torturas ou tratamentos degradantes.
Rio de Janeiro, 17 de Maio de 2026
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