Por Mário Augusto Jakobskind - Ao que tudo indica está chegando Michel Temer. Golpista e traidor, na visão de Dilma Rousseff e grande parte do povo brasileiro.
Por Mário Augusto Jakobskind, do Rio de Janeiro: Michel Temer, o Rei dos conchavos
Ao que tudo indica está chegando Michel Temer. Golpista e traidor, na visão de Dilma Rousseff e grande parte do povo brasileiro, o vice está, como se sabe, articulando com figuras marcadas da política brasileira. O que dizer de um Moreira Franco como uma eminência parda de Temer? O Senador Aécio Neves, por exemplo, já deu o sinal verde para o PSDB participar do governo que possivelmente ocupará o Palácio do Planalto a se confirmar o veredicto da Câmara dos Deputados.
Trocando em miúdos, os derrotados de ontem se transformam em governo para colocar em pratica o que o então Presidente Fernando Henrique Cardoso não conseguiu. Uma “ponte para o futuro”, que se não se partir vai fazer com que o Brasil retroceda no tempo e no espaço.
A classe média, envenenada pela mídia conservadora, que saiu às ruas em apoio ao combate à corrupção vai ver o que é bom para a tosse. Se alguém tinha dúvidas a respeito, a própria insuspeita Folha de S. Paulo -- insuspeita por manipular a informação no esquema de lavagem cerebral dos leitores -- divulgou informação sobre a Lava Jato mostrando que o criminalista Antonio Claudio Mariz de Oliveira, advogado de Michel Temer e de envolvidos no esquema de corrupção da Petrobrás, está cotado para ocupar o Ministério da Justiça do provável governo que virá.
Pois bem, segundo ainda a insuspeita Folha de S. Paulo, Oliveira já tinha acusado a Lava Jato de adotar métodos arbitrários, inclusive assinando manifesto comparando a operação à Inquisição. Ao fazer essa colocação, Oliveira na verdade defendia seus clientes e provavelmente nunca se preocupou propriamente se a Lava Jato estava ou não exorbitando.
Se ele for mesmo nomeado Ministro da Justiça, e segundo ainda a Folha de S. Paulo, é o preferido de Michel Temer, não será propriamente surpresa se aproveitar o embalo do cargo e livrar a caras dos seus clientes.
Mas mesmo que não venha ocupar o cargo em questão, segundo muitos analistas, quem vier vai ter que colocar em ação um plano, mesmo que dissimulado, para esvaziar o esquema de combate à corrupção. Analistas independentes dão como certo que o apoio maciço de notórios corruptos ao impeachment, mesmo sem qualquer crime de responsabilidade, faz parte de um grande conchavo para livrar as suas respectivas caras.
Cerimônia de coroação de Temer, Imperador do Reino Unido do Golpe e da Maracutaia. Fonte da Arte, Gazeta Petista
Em outras palavras, Temer, que desde que ingressou na política tornou-se por assim dizer uma espécie de rei dos conchavos, está atento. O possível acerto com notórios corruptos seria apenas um lance a mais do político que há anos preside o PMDB.
O presidente da Câmara dos Deputados é um capítulo a parte. Não há dúvidas que Eduardo Cunha, muito chegado a Temer, precisa de algum tipo de proteção para não perder o mandato ou até mesmo ser preso pelas safadezas que é acusado. Numa rodada inicial, Cunha está levando vantagem, ou seja, mesmo como réu no Supremo Tribunal Federal (STF) continuou presidindo a Câmara dos Deputados e levou adiante, a sua maneira, todo o processo de impeachment, que culminou com a vergonhosa votação do domingo 17 de abril.
No STF já se fala que o julgamento de Cunha poderá acontecer no final de maio ou junho. Aí então, caso se confirme a votação no Senado, Temer assumirá por 180 dias a Presidência da República até o julgamento final do impeachment.
Uma pergunta que não quer calar: o que acontecerá então com Cunha? Será mesmo julgado? Será condenado ou absolvido? O que poderá fazer o seu correligionário Michel Temer para livrar também a sua cara? São perguntas que somente o tempo poderá dizer. Mas como os personagens mencionados, um deles se caracteriza por ser um rei dos conchavos, tudo poderá acontecer.
E pensar que a mídia conservadora, participe ativa do esquema golpista, ao longo dos meses insinuou que Dilma Rousseff tentava neutralizar o esquema de combate à corrupção, o que, claro, não corresponde a realidade. Resta saber como se comportará Temer no momento em que muitos apoiadores do impeachment que estão sendo investigados tiverem que ser julgados? Se é que em algum momento isso acontecerá ou já está tudo decidido de antemão.
Sempre é bom lembrar que Cunha seria o substituto do Presidente. Já imaginaram Temer viajando para alguma “missão” no exterior e Cunha assumindo, mesmo que interinamente, a Presidência? Já imaginaram que abacaxi seria isso para o país? O Brasil ganharia definitivamente o status de um de república de bananas
Resta aguardar o desenrolar dos acontecimentos e exigir que se prevalecer o esquema do conchavo não vença a impunidade.
Em tempo: a) nos sites dos jornalões se informou que Antonio Claudio Mariz de Oliveira não será mais Ministro da Justiça de Michel Temer. Se é verdade ou não, resta saber quem virá para o posto e qual a influência que terá no prosseguimento da investigações de políticos vinculados ao rei dos conchavos e; b) será que a recatada já mandou fazer o vestido para a posse do imperador?
Mário Augusto Jakobskind, jornalista e escritor, correspondente do jornal uruguaio Brecha; membro do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (TvBrasil). Consultor de História do IDEA Programa de TV transmitido pelo Canal Universitário de Niterói, Sede UFF – Universidade Federal Fluminense Seus livros mais recentes: Líbia – Barrados na Fronteira; Cuba, Apesar do Bloqueio e Parla , lançados no Rio de Janeiro.Direto da Redaçãoé um fórum de debates editado pelo jornalistaRui Martins.
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