Rio de Janeiro, 19 de Agosto de 2026

Rei dos conchavos a um passo da presidência

Por Mário Augusto Jakobskind - Ao que tudo indica está chegando Michel Temer. Golpista e traidor, na visão de Dilma Rousseff e grande parte do povo brasileiro.

Terça, 03 de Maio de 2016 às 13:00, por: CdB
Por Mário Augusto Jakobskind, do Rio de Janeiro:
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Michel Temer, o Rei dos conchavos
Ao que tudo indica está chegando Michel Temer. Golpista e traidor, na visão de Dilma Rousseff e grande parte do povo brasileiro, o vice está, como se sabe, articulando com figuras marcadas da política brasileira. O que dizer de um Moreira Franco como uma eminência parda de Temer? O Senador Aécio Neves, por exemplo, já deu o sinal verde para o PSDB participar do governo que possivelmente ocupará o Palácio do Planalto a se confirmar o veredicto da Câmara dos Deputados. Trocando em miúdos, os derrotados de ontem se transformam em governo para colocar em pratica o que o então Presidente Fernando Henrique Cardoso não conseguiu. Uma “ponte para o futuro”, que se não se partir vai fazer com que o Brasil retroceda no tempo e no espaço. A classe média, envenenada pela mídia conservadora, que saiu às ruas em apoio ao combate à corrupção vai ver o que é bom para a tosse. Se alguém tinha dúvidas a respeito, a própria insuspeita Folha de S. Paulo -- insuspeita por manipular a informação no esquema de lavagem cerebral dos leitores -- divulgou informação sobre a Lava Jato mostrando que o criminalista Antonio Claudio Mariz de Oliveira, advogado de Michel Temer e de envolvidos no esquema de corrupção da Petrobrás, está cotado para ocupar o Ministério da Justiça do provável governo que virá. Pois bem, segundo ainda a insuspeita Folha de S. Paulo, Oliveira já tinha acusado a Lava Jato de adotar métodos arbitrários, inclusive assinando manifesto comparando a operação à Inquisição. Ao fazer essa colocação, Oliveira na verdade defendia seus clientes e provavelmente nunca se preocupou propriamente se a Lava Jato estava ou não exorbitando. Se ele for mesmo nomeado Ministro da Justiça, e segundo ainda a Folha de S. Paulo, é o preferido de Michel Temer, não será propriamente surpresa se aproveitar o embalo do cargo e livrar a caras dos seus clientes. Mas mesmo que não venha ocupar o cargo em questão, segundo muitos analistas, quem vier vai ter que colocar em ação um plano, mesmo que dissimulado, para esvaziar o esquema de combate à corrupção. Analistas independentes dão como certo que o apoio maciço de notórios corruptos ao impeachment, mesmo sem qualquer crime de responsabilidade, faz parte de um grande conchavo para livrar as suas respectivas caras.
COROACOA%2BTEMER%2BIMPERADOR%2BDO%2BREINO%2BUNIDO%2BDO%2BGOLPE%2BE%2BDA%2BMARACUTAIA%2BGAZETA%2BPETISTA%2B24%2BABRIL%2B2016.jpgCerimônia de coroação de Temer, Imperador do Reino Unido do Golpe e da Maracutaia. Fonte da Arte, Gazeta Petista
Em outras palavras, Temer, que desde que ingressou na política tornou-se por assim dizer uma espécie de rei dos conchavos, está atento. O possível acerto com notórios corruptos seria apenas um lance a mais do político que há anos preside o PMDB. O presidente da Câmara dos Deputados é um capítulo a parte. Não há dúvidas que Eduardo Cunha, muito chegado a Temer, precisa de algum tipo de proteção para não perder o mandato ou até mesmo ser preso pelas safadezas que é acusado. Numa rodada inicial, Cunha está levando vantagem, ou seja, mesmo como réu no Supremo Tribunal Federal (STF) continuou presidindo a Câmara dos Deputados e levou adiante, a sua maneira, todo o processo de impeachment, que culminou com a vergonhosa votação do domingo 17 de abril. No STF já se fala que o julgamento de Cunha poderá acontecer no final de maio ou junho. Aí então, caso se confirme a votação no Senado, Temer assumirá por 180 dias a Presidência da República até o julgamento final do impeachment. Uma pergunta que não quer calar: o que acontecerá então com Cunha? Será mesmo julgado? Será condenado ou absolvido? O que poderá fazer o seu correligionário Michel Temer para livrar também a sua cara? São perguntas que somente o tempo poderá dizer. Mas como os personagens mencionados, um deles se caracteriza por ser um rei dos conchavos, tudo poderá acontecer. E pensar que a mídia conservadora, participe ativa do esquema golpista, ao longo dos meses insinuou que Dilma Rousseff tentava neutralizar o esquema de combate à corrupção, o que, claro, não corresponde a realidade. Resta saber como se comportará Temer no momento em que muitos apoiadores do impeachment que estão sendo investigados tiverem que ser julgados? Se é que em algum momento isso acontecerá ou já está tudo decidido de antemão. Sempre é bom lembrar que Cunha seria o substituto do Presidente. Já imaginaram Temer viajando para alguma “missão” no exterior e Cunha assumindo, mesmo que interinamente, a Presidência? Já imaginaram que abacaxi seria isso para o país? O Brasil ganharia definitivamente o status de um de república de bananas Resta aguardar o desenrolar dos acontecimentos e exigir que se prevalecer o esquema do conchavo não vença a impunidade. Em tempo: a) nos sites dos jornalões se informou que Antonio Claudio Mariz de Oliveira não será mais Ministro da Justiça de Michel Temer. Se é verdade ou não, resta saber quem virá para o posto e qual a influência que terá no prosseguimento da investigações de políticos vinculados ao rei dos conchavos e; b) será que a recatada já mandou fazer o vestido para a posse do imperador?
Mário Augusto Jakobskindjornalista e escritor, correspondente do jornal uruguaio Brecha; membro do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (TvBrasil). Consultor de História do IDEA Programa de TV transmitido pelo Canal Universitário de Niterói, Sede UFF – Universidade Federal Fluminense Seus livros mais recentes: Líbia – Barrados na Fronteira; Cuba, Apesar do Bloqueio e Parla , lançados no Rio de Janeiro. Direto da Redação é um fórum de debates editado pelo jornalista Rui Martins.
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