Ministro Paulo BernardoO ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, tem toda razão na posição externada na entrevista ao programa "3 a 1", da TV Brasil, sobre a retomada da discussão do projeto de regulação da mídia e contra a chamada propriedade cruzada de veículos de comunicação (um mesmo grupo econômico ser detentor, numa mesma cidade, Estado ou região de diferentes meios de comunicação, como TV e rádio, jornal e revista).
Ao declarar-se "a favor de desconcentrar a mídia, e que ela seja o mais diversificada, o mais plural possível", o ministro das Comunicações reinsere a questão da regulação (e da propriedade cruzada) nos seus devidos termos. E merece apoio nos dois sentidos: tanto a questão da propriedade quanto a da regulação, nada mais são do que dar continuidade à política a respeito desencadeada no final do Governo Lula.
O Brasil não pode continuar a pátria-paraíso dos monopólios, na qual os barões da mídia podem tudo e não aceitam uma legislação a respeito (o país está sem) porque não querem perder ou submeter-se a um disciplinamento no poder que detém sobre a comunicação e a informação. "A forma como isso (o debate) pode ser feita, nós vamos discutir", adiantou o ministro acrescentando, também, uma advertência: "Se o governo tiver boa estratégia, será um debate amplo e longo. Se errarmos, vai ser um debate curto, porque a proposta vai ser enterrada na primeira curva. Se a gente começar a confundir conceitos, vai durar pouco."
Realmente, o "inimigo" está a postos: qualquer passo em falso na forma de levar o debate público e em sua discussão será aproveitado para, como previu o próprio ministro Paulo Bernardo nessa entrevista à TV Brasil "enterrar o tema, ou passá-lo à sociedade de uma forma equivocada". De forma errada como, por exemplo, manter a manipulação que sustenta desde sempre que regulação é censura à imprensa e à liberdade de expressão.
Foto Elza Fiúza/ ABr