Manifestantes são reprimidos com violência na praça central de Istambul, na Turquia
Milhares de pessoas participaram da homenagem, com cravos vermelhos, às quatro vítimas fatais desde o início dos protestos na Turquia, em uma manifestação que seguiu até a madrugada deste domingo. A polícia reprimiu o protesto e Istambul voltou a ficar sob uma nuvem de gás, tal como a capital Ancara. O primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan, diz que há uma conspiração internacional coordenada com os protestos brasileiros e garante que "só Deus tem a força para derrubar o nosso governo".
Depois da violenta desocupação do parque Gezi pela polícia, os protestos perderam intensidade nos últimos dias. Mas, neste sábado, a Plataforma de Solidariedade com Taksim convocou uma concentração de homenagem na praça de Istambul que foi o centro do maior protesto contra o governo Erdogan. Para homenagear os quatro mortos pela repressão policial das últimas semanas, apelaram aos manifestantes para trazerem cravos vermelhos. O protesto seguia pacificamente e contou com os habituais slogans pela demissão de Erdogan. Mas a polícia voltou a entrar na praça Taksim, com o apoio de canhões de água, e dispersou a multidão com escudos e bastões. A repressão continuou nos quarteirões próximos da praça, com o lançamento de grandes quantidades de gás lacrimogênio na zona mais frequentada por turistas na Turquia, noite passada.
Em Ancara, o fim de semana também foi de protestos e repressão policial, com barricadas nas ruas, canhões de água e gás lacrimogéneo. No sábado foram detidas 22 pessoas nas manifestações da capital turca.
Acossado pelos protestos das últimas semanas, o primeiro-ministro turco preparou a resposta com uma série de comícios com apoiadores do regime. Na cidade de Samsun, fez o paralelo com o que se tem passado nas últimas semanas no Brasil. "Os símbolos, as bandeiras, o Twitter e a mídia internacionais são os mesmos. Eles fazem tudo para conseguir o que não conseguiram aqui", disse Erdogan aos milhares de militantes do seu partido AKP.
Falando das "intenções maliciosas" dos organizadores do protesto com o objetivo inicial de salvar o parque Gezi de ser arrasado por mais um centro comercial, Erdogan acusou os jovens manifestantes em toda a Turquia de terem sido "peões de um jogo sujo" por parte de uma conspiração internacional ainda por revelar. Mas deixou a garantia de que "ninguém, a não ser Deus, tem a força para derrubar o nosso governo".
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