O município de Bom Jardim, na Região Serrana, busca se tornar referência na plantação de palmito. De acordo com estimativas dos cerca de 35 pequenos produtores da localidade, para a primeira safra, que deve acontecer daqui a um ano e meio, a previsão é bem otimista.
Milhares de pés de palmeira real, introduzida na região como alternativa à extração da nativa palmeira juçara, foram plantadas na região. A novidade chegou em 2001 através de José Aluízio Monerat, 66 anos, atual coordenador de agricultura do município.
Hoje, já existem 35 pequenos produtores em Bom Jardim, que contam com apoio dos técnicos da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), empresa vinculada à Secretaria de Agricultura, Abastecimento, Pesca e Desenvolvimento do Interior. Cada um deles planta, em média, 6 mil palmeiras. Tanto eles, como Monerat, já começaram a fazer alguma extração de palmito, mas a pequena produção se limitou a ser vendida em lojas e restaurantes locais.
Monerat tem uma área de 6,5 hectares plantados, com aproximadamente 105 palmeiras. As primeiras foram plantadas em novembro de 2003.
- Como o corte acontece entre dois anos e meio e três anos, podem esperar que ano que vem vai ter palmito à vontade. A região tem tudo para se tornar uma grande produtora de palmito - vibrou o produtor.
De cada palmeira é retirada uma vela de aproximadamente 70 centímetros, pesando de 700 a 800 gramas. O preço atual de mercado gira em torno de R$ 4,50 cada vidro.
- Com o crescimento da produção, a gente já pode pensar em uma indústria através do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) para processar o palmito e conseguir dobrar o faturamento - disse o coordenador de agricultura de Bom Jardim.
O custo para a implantação da fábrica, segundo Monerat, é de aproximadamente R$ 60 mil. Este valor pode ser conseguido através da criação de uma cooperativa de produtores. Para Monerat, a palmeira real tem tudo para ser um grande e lucrativo negócio na Região Serrana.
Além das palmeiras plantadas, o produtor tem hoje 225 mil mudas em dois berçários. Parte delas está reservada para ampliação da plantação de Monerat e outras são vendidas para pequenos produtores. O objetivo é ampliar cada vez mais a cultura no município.
A cultura é considerada ecologicamente correta porque, além de proteger a palmeira juçara, espécie nativa da Mata Atlântica, cuja extração é proibida, serve para proteger o solo plantado.
- A plantação é feita em curva de nível e evita a erosão do terreno - afirmou o coordenador.
Com a preservação das reservas naturais da palmeira juçara, a solução encontrada para manter o palmito na receita do brasileiro na mesa tem sido o cultivo de outras espécies, como a palmeira real e a pupunha. O cultivo da pupunha começou primeiro, na metade dos anos 90. Agora, mais recentemente, aconteceu a expansão da produção da palmeira real. A cultura teve início na região litorânea de Santa Catarina.
Desde que as palmeiras começaram a ser plantadas em grande escala em Bom Jardim, foram ministrados cursos para ensinar como cuidar do terreno na nova cultura. Segundo o engenheiro agrônomo da Emater, Maurício Chuaba, a palmeira real produz 10 toneladas por hectare, enquanto a outra espécie, a pupunha, apenas duas toneladas.
A palmeira real é uma espécie rústica e de crescimento rápido. Além disso, gera empregos nas pequenas e médias propriedades rurais em toda a cadeia produtiva, desde a produção de mudas, plantio e na industrialização.