Rio de Janeiro, 17 de Outubro de 2026

Região de Bajo Aguán vive novas ações de violência

Quarta, 17 de Agosto de 2011 às 12:00, por: CdB

Desdeo último domingo (14), camponesas e camponeses de Bajo Aguán, em Honduras,enfrentam ataques e forte militarização na região. Um comunicado divulgadonessa terça-feira (16) pelo Movimento Unificado Campesino de Aguán MargemEsquerda (Muca MI) chamou a atenção de organizações de direitos humanos ecomunidade nacional e internacional para a situação do local.

Segundoo Movimento, os ataques começaram na manhã de domingo, quando camponeses dacomunidade de Panamá foram atacados por funcionários de segurança do empresárioMiguel Facussé. De acordo com Muca MI, além das agressões físicas promovidaspor parte dos seguranças do empresário, o Movimento ainda enfrenta uma campanha"difamatória e caluniosa” por parte dos meios de comunicação ligados aosinteresses dos agroindustriais.

Conformeo comunicado do Movimento, alguns jornais e emissoras de rádio apontam aslideranças de várias associações que formam o Movimento como responsáveis pelosatos de violência ocorridos atualmente na região. Em resposta, a organizaçãolembrou que as ações promovidas pelos camponeses pela posse de terra são"pacíficas e públicas” e com a divulgação para os meios de comunicaçãocomerciais e alternativos.

"Oexercício da violência que se vem praticando contra nós e em especial contranossa direção que tem sido objeto de assassinatos, constantes ameaças de mortede uma feroz campanha difamatória e caluniosa não apagará do cenário nacionalnossa justa luta por terra, não nos distanciará de utilizar como instrumento odiálogo que nos conduza a buscar uma solução real que dê fim a este conflitoagrário, por isso reiteramos nossa boa vontade de um diálogo franco e sincerocom o governo do senhor Porfirio Lobo Sosa”, afirmou.

Ataques emilitarização

Asnovas ações de violência em Bajo Aguan tiveram início na manhã do últimodomingo (14), quando um conflito entre camponeses e funcionários de segurança deMiguel Facussé deixou seis pessoas mortas – quatro guardas e dois camponeses -e 11 gravemente feridas. A violência continuou no dia seguinte, com oassassinato de mais cinco pessoas que estavam em um caminhão de propriedade deuma empresa engarrafadora indo da comunidade de Sinaloa rumo à Sabá.

Eo número de vítimas na região ainda aumentou nessa terça-feira (16). Segundoinformações de uma rádio local, ontem, mais três pessoas morreram em Bajo Aguanvítimas do conflito agrário. Até agora, notícias dão conta de 14 mortos naregião em apenas três dias.

Aviolência levou o governo hondurenho a anunciar o aumento da militarização nolocal. Na segunda-feira passada (15), Oscar Alvarez, ministro da segurança,declarou o envio de 600 efetivos – entre policiais e integrantes das Forças Armadas– para a região, os quais se somaram aos 400 soldados que já estavam no local.

Aação, denominada Xatruch II, tem o objetivo de capturar os responsáveis pelasmortes dos últimos dias, desalojar os imóveis tomados e realizar operações decontrole de armas. "As pessoas que andem com armas sem a respectiva permissão paraportar terão as armas retiradas de imediato e as pessoas que andem com armas deguerra serão acusadas baseada na Lei de Posse e Porte de Armas, que tipificacomo mínimo nove anos de prisão; vamos pedir a colaboração dos juízes para queapliquem todo o peso da lei”, afirmou.

Alémdisso, o governo de Honduras ainda declarou que está revisando a Lei de ReformaAgrária a fim de suspender por determinado período os benefícios do Estado paraas pessoas que ocupem terras. Por outro lado, representantes de Miguel Facusséafirmaram que, devido às ações de violência dos últimos dias, o acordo de vendadas terras firmado entre o empresário, Governo e camponeses está suspenso.
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