Rio de Janeiro, 25 de Maio de 2026

Reformistas ameaçam boicotar eleições no Irã

Segunda, 23 de Maio de 2005 às 07:35, por: CdB

O principal partido reformista do Irã ameaçou nesta segunda-feira boicotar as eleições presidenciais de 17 de junho e considerou a desqualificação de seu candidato como uma tentativa dos conservadores de se fortalecerem no poder.

Mas a reação pública à proibição da candidatura do ex-ministro da Educação Mostafa Moin, um inflamado reformista que no passado prometeu libertar presos políticos e combater abusos aos direitos humanos, foi praticamente nula, uma vez que a maioria dos iranianos parece resignada com a vitória dos conservadores.

Dos seis candidatos autorizados a concorrer, o conservador moderado Akbar Hashemi Rafsanjani foi quem mais se beneficiou com a desqualificação de Moin, segundo analistas. Rafsanjani já foi presidente por dois mandatos e deve se eleger novamente.

- Moin poderia ter tirado votos de Rafsanjani, pois tem apelo junto aos que querem a manutenção das liberdades sociais. Mas ele (Moin) não havia atraído tanto apoio, e não vejo grandes protestos ocorrendo por causa da sua desqualificação - disse um analista que pediu para ficar  no anonimato.

O Conselho dos Guardiões, formado por 12 clérigos e juristas islâmicos não-eleitos, cassou a candidatura de mais de mil aspirantes à sucessão do presidente Mohammad Khatami, que por lei é impedido de buscar um terceiro mandato consecutivo. Apenas um reformista foi autorizado a concorrer: Mehdi Karroubi, ex-presidente do Parlamento.

Rafsanjani, de 70 anos, foi presidente entre 1989 e 1997 e é considerado um moderado por defender melhores relações com o Ocidente e menos envolvimento do Estado na economia.
Os outro quatro candidatos - Mohammad Baqer Qalibaf, Ali Larijani, Mohsen Rezaie e Mahmoud Ahmadinejad - são considerados conservadores linha-dura, firmemente leais ao líder supremo, aiatolá Ali Khamenei.]

As pesquisas indicam que Qalibaf, 43, é o maior rival de Rafsanjani. Analistas especulam que alguns candidatos conservadores, especialmente Rezaie e Ahmadinejad, vão retirar sua candidatura para fortalecer a votação anti-Rafsanjani.

O Conselho não anunciou as razões para desqualificar Moin. Em 2004, o órgão havia proibido centenas de reformistas de disputarem vagas no Parlamento, argumentando que eles haviam demonstrado lealdade insuficiente ao sistema teocrático.

Moin considerou "ilegal, injusta e ilógica" a decisão contra ele, mas disse que não pretende recorrer.

O jornal Sharq, liberal, publicou uma grande fotografia do ex-ministro de Khatami na sua capa, chamando-o de "grande ausente".

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