Segundo ele, o próximo desafio na luta contra a desigualdade é observar a transição demográfica
Por: Leticia Cruz, Rede Brasil Atual
Publicado em 15/07/2011, 16:43
Última atualização às 16:43
TweetSão Paulo - O atraso nas reformas dos principais setores do Estado foi criticado pelo economista Márcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Ele credita às injustiças do sistema tributário a desigualdade social ainda presente no país.
As declarações foram feitas nesta sexta-feira (15), durante o 2º Congresso Nacional da União Geral dos Trabalhadores (UGT), que discute questões relacionadas à justiça social. "O país segue fazendo com que somente os pobres paguem os impostos. Rico não. Isso impede bastante o crescimento de um Brasil menos desigual", pontuou. "Pessoas que moram em mansões acabam pagando menos impostos que aquele que mora nas favelas e bairros".
O presidente do Ipea alertou ainda para a transição demográfica pela qual o país vem passando, fenômeno que deve ser levado em conta quando se pensa em políticas voltadas à distribuição de renda. "Daqui a três décadas, o Brasil terá sofrido muitas mudanças em relação à população, haja vista que as taxas de natalidade estão diminuindo e as pessoas estão vivendo mais", disse o economista, observando também que as famílias tendem a ser cada vez mais monoparentais (filhos que vivem somente com mãe ou pai).
Pochmann defendeu também a necessidade da redução da jornada de trabalho, uma das maiores reivindicações dos sindicalistas. "O aumento da jornada piora a vida dos trabalhadores. Não há espaço no tempo deles nem para a conversa entre companheiros porque o trabalho toma um tempo enorme da vida desse indivíduo", reforçou. "Se há mais trabalho, há mais riqueza, e ela não está indo para os trabalhadores".
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