Os escritórios de trabalho e seguro social na Alemanha se preparam para protestar nesta segunda contra os cortes nos benefícios para desempregados. A medida é a mais radical e controversa reforma pós-guerra para forçar as pessoas a trabalharem.
Demostrações de raiva pela reforma no generoso seguro-desemprego alemão já foram vistas. No pior dos incidentes, um desempregado jogou o seu carro contra a entrada de um centro de empregos e explodiu. Cerca de um milhão de desempregados alemães terão seus benefícios cortados em janeiro.
O alvo dos cortes é o grupo que já se encontra desempregado por um longo tempo. A reforma trabalhista também prevê critérios mais rigorosos para conceder o seguro.
- Estou tenso, mas cheio de confiança de que a mais abrangente reforma trabalhista da história do país vai ter êxito - disse o ministro da Economia, Wolfgang Clement, que espera reduzir pela metade o número de desempregados até 2010.
Em março, todos os desempregados menores de 25 anos vão assinar um contrato de treinamento ou não vão ganhar nada do Estado", infirmou o ministro.
Em novembro, 4,64 milhões de alemães não tinham emprego, o que equivale a quase 11% da força de trabalho do país.
- Eu não vou negar que haverá problemas no início, mas nós vamos corrigir tudo em semana - afirmou o ministro a um jornal alemão. Problemas de informática no sistema de seguridade social acarretará no atraso do pagamento de 150 mil beneficiados em janeiro.
Muitos centros de trabalho, como o do pobre distrito de Neukoelln, no sul de Berlim, contrataram seguranças para proteger os seus funcionários. A polícia treinou os agentes sociais sobre como proceder com beneficiados irritados.
Os funcionários receberam conselhos para remover das mesas objetos como grampeadores, que podem ser usados em eventuais agressões. Alguns postos instalaram um "botão de pânico" nos computadores para que os agentes sociais peçam auxílio.
Todos os postos no país já haviam aumentado a segurança desde que o diretor de um deles foi morto a facadas em 2001 por um engenheiro desempregado, que teve os benefícios cortados. Os que se opõem à reforma planejam atos em frente a postos sociais de 55 cidades da Alemanha nesta segunda-feira. O objetivo é obrigar às agências a fecharem as portas, pelo menos temporariamente.
- Nossa meta é interromper o trabalho das agências, instrumentos importantes dessa repressão do Estado - disse Olga Schell, líder de um dos grupos de manifestantes.
O primeiro-ministro Gerhard Schroeder insistiu que não vai recuar nas reformas. A popularidade do premiê vem subindo recentemente por causa da sua recusa enfática a ceder às pressões do seu partido e dos que vão perder o benefício.