A reforma ministerial que se aproxima vai adiantar o troca-troca de cadeiras nas lideranças partidárias na Câmara dos Deputados. Tão logo seja confirmada a entrada dos líderes Eduardo Campos (PSB/PE) e Eunício Oliveira (PMDB/CE) no primeiro escalão do Governo, o panorama no comando dos partidos terá que ser alterado. Ao que tudo indica, as duas lideranças devem migrar do Nordeste para o Sul e Sudeste do País.
No PSB, a entrada de Eduardo Campos no ministério levará o 1º vice-líder, Renato Casagrande (ES) para o cargo. Não deve ser realizada nenhuma disputa interna e a condução do capixaba para liderança deve ser feita por acordo. O único nome que chegou a ser cotado para substituir Campos foi o de Beto Albuquerque (RS), que deve permanecer na vice-liderança do Governo na Câmara.
Eunício Oliveira contava com mais de 60 assinaturas para ser reconduzido à liderança do PMDB no final de 2003, mas com a saída pela porta da frente para o Executivo, abrirá espaço para que Mendes Ribeiro Filho (RS) ocupe a vaga por alguns meses. A liderança, no entanto, deve ficar nas mãos de José Borba (PR), ou de Osvaldo Biolchi (RS), que já apresentaram seus nomes ao partido.
No entanto, não é apenas a reforma ministerial que deve mexer com as lideranças. As eleições municipais também vão mudar a cara dos líderes dos partidos em 2004.
O atual líder do PT, Nelson Pellegrino (BA), só deve manter-se no cargo até o final do mês. Pellegrino é nome petista para disputar a prefeitura de Salvador. O nome de Paulo Rocha (BA) já apareceu, mas o deputado baiano pode alçar vôos mais altos em 2004: seu nome aparece como um dos prováveis substitutos de Aldo Rebelo (PcdoB/SP) na liderança do Governo na Câmara, caso este migre para algum ministério. A disputa no PT deve mesmo ficar concentrada entre Henrique Fontana (RS) e Arlindo Chinaglia (SP).
As mudanças também devem chegar ao PFL, hoje liderado pelo baiano José Carlos Aleluia, que tem intenção de se candidatar à prefeitura de Salvador. Mesmo sem ter certeza se será o candidato do partido para o Executivo soteropolitano, Aleluia deve deixar o cargo ainda no início do ano.
Os nomes para substitui-lo são o de Antônio Carlos Magalhães Neto (BA) e Pauderney Avelino (AM). O amazonense conta com a simpatia da ala mais tradicional do partido por ser considerado mais experiente.
O PSDB, liderado pelo também baiano Jutahy Júnior, terá em Minas seu novo líder. O deputado Custódio Mattos (MG) assume o comando do ninho tucano na Câmara em 2004. Sua condução à liderança do PSDB foi acertada pelo governador mineiro Aécio Neves durante as negociações para fazer de José Serra o presidente do partido.
No PPS, a expectativa é de que Roberto Freire seja substituído, mas o nome ainda não foi definido. Seja ele quem for, terá que manter um bom diálogo com seu antecessor e com o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes. Os dois nomes mais proeminentes do PPS vivem às turras.
Há ainda os partidos que devem manter seus líderes. O PL deve reconduzir o presidente do partido, Waldemar Costa Neto (SP), à liderança. No PDT, Neiva Moreira (MA) deve continuar no comando, assim como o Prona de Éneas Carneiro (SP) e o PP, com Pedro Henry (MT). O PTB elegeu José Múcio (PE) para a liderança em 2003, após a condução deputado Roberto Jefferson (RJ) à presidência do partido.
Reforma ministerial vai antecipar mudanças na Câmara
Quinta, 08 de Janeiro de 2004 às 19:10, por: CdB