Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Reforma ministerial sai na próxima semana

Há duas peças-chave para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concluir a reforma ministerial: resolver o destino do PP e definir o destino do ministro Aldo Rebelo (PCdoB), da Coordenação Política. A mudança na equipe ministerial está sendo negociada desde novembro, mas só será anunciada na próxima semana. (Leia Mais)

Quarta, 09 de Março de 2005 às 19:06, por: CdB

Há duas peças-chave para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concluir a reforma ministerial: resolver o destino do PP e definir o destino do ministro Aldo Rebelo (PCdoB), da Coordenação Política.

A mudança na equipe ministerial está sendo negociada desde novembro, mas só será anunciada na próxima semana. O objetivo é acomodar a base aliada, dar mais eficiência administrativa ao Executivo e costurar alianças para o projeto de reeleição do presidente Lula.

Nas últimas horas, Lula intensificou as negociações sobre a reforma. Ele se reuniu com ministros petistas do núcleo político e, nesta quarta-feira, encontrou-se com lideranças do PMDB e do PTB. Também está prevista uma conversa com integrantes do PP, partido ainda sem ministério.

A expectativa era de que a reforma fosse revelada nesta semana, mas dúvidas sobre como realizar todas as acomodações adiaram o anúncio.

O PT pressiona para que a coordenação política volte para as mãos do partido. O principal defensor da idéia é o ministro da Casa Civil, José Dirceu, que poderia retomar a função de articulador junto ao Congresso. Outra opção é dar a pasta de Aldo ao ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha.

Definido o rumo do PP, legenda fortalecida com a eleição de Severino Cavalcanti (PE), o restante ficará mais fácil.

- A equação geral depende da equação do PP - afirmou à Reuters um petista que participa das negociações da reforma.

Pelo cenário atual, o movimento tido como "mais provável" é manter o peemedebista Eunício Oliveira (CE) no Ministério das Comunicações. Roseana Sarney, licenciada no PFL, iria para Integração Nacional, e o senador Romero Jucá (PMDB-RR) seria o titular da Previdência, no lugar de Amir Lando (PMDB-RO).

Mas o PP também quer o Ministério das Comunicações. Caso a hipótese vingue, Eunício Oliveira mudaria de rota e iria para Integração Nacional, substituindo Ciro Gomes. Roseana, por sua vez, assumiria o Ministério das Cidades, no lugar de Olívio Dutra (PT).

Romero Jucá é mais simpático à idéia de ir para o Planejamento, mas o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), dono das indicações para a Esplanada no PMDB, é contra. Jucá deve ficar mesmo na Previdência.

Em qualquer um dos cenários, principalmente o que levaria Roseana e Eunício para as Comunicações e Integração Nacional respectivamente, Ciro Gomes iria para Saúde, aposentando o petista Humberto Costa da função. Há chances de haver mudanças também nos Ministérios do Trabalho, Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Social, ocupados pelo PT.

Lula aproveitou a reunião desta tarde com o PMDB para cobrar união do partido ao governo para as eleições de 2006. Ele quer amarrar a reforma ministerial à estratégia de aliança para as disputas políticas no próximo ano.

O PMDB vive uma briga interna entre duas correntes opostas: a governista e a de oposição, esta liderada pelo presidente da sigla, deputado Michel Temer (SP), que deseja lançar candidato próprio à Presidência da República.

O presidente Lula quer "um compromisso de longo prazo" com o partido para fazer frente às disputas eleitorais. O problema é que, nos Estados, a relação entre as duas legendas reflete a divisão do PMDB na esfera federal.

- O presidente propôs uma relação estratégica com o PMDB para um governo de coalizão e de aliança eleitoral. Ele pediu para consultarmos as correntes do partido e disse que queria todos juntos em 2006 - afirmou Renan Calheiros após reunião com Lula.

O encontro contou com a participação dos senadores José Sarney (PMDB-AP), Ney Suassuna (PMDB-PB), além do deputado José Borba (PMDB-PR), além do líder do governo, Aloizio Mercadante (PT-SP).

Mercadante disse que não discutiram a eventual candidatura de Lula à reeleição, apenas a "construção política" eleitoral.

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