A Comissão Européia (CE), braço executivo da União Européia, apresentará nesta terça-feira uma polêmica proposta para reformar sua política agrícola comum, que prevê um corte gradual de até 13% nas ajudas diretas pagas atualmente aos agricultores.
Com a reforma, a maior já empreendida na política agrícola européia, a CE pretende melhorar a competitividade dos produtos europeus, adaptar o setor às mudanças no mercado e enfrentar novas situações, como a mudança climática e a crise alimentar global.
O projeto não reduz o orçamento previsto para a agricultura européia em 2009, um total de 57,53 bilhões de euros, equivalentes a 43% dos gastos comunitários, mas muda a forma como esse valor seria distribuído.
De acordo com a proposta, 7% dos subsídios aos agricultores seriam investidos em desenvolvimento rural em 2009, uma porcentagem que hoje é de 5% e seria aumentada para 11% em 2011 e para 13% em 2012.
Com isso, 2 bilhões de euros passariam das mãos dos agricultores a projetos de modernização e diversificação agrícola no primeiro ano.
Bruxelas também propõe desvincular os subsídios dos tipos de produto e quantidade colhida.
Dessa forma, o agricultor receberia um valor pré-estabelecido de acordo com a área plantada, o que lhe daria liberdade para variar seu cultivo de acordo com as tendências do mercado.
Os produtores de cultivos utilizados para a produção de biocombustíveis também deixariam de receber subsídios especiais e teriam que optar pelo subsídio único.
Especialistas do Executivo europeu defendem que essa medida permitiria uma auto-regulagem do mercado importante em uma época em que os preços dos alimentos não param de subir.
Crise alimentar
Para tentar conter o impacto da atual crise alimentar, Bruxelas propõe suspender definitivamente uma medida que obriga que 10% das terras cultiváveis na UE sejam mantidas inutilizadas.
A medida foi criada para evitar uma superprodução que pudesse derrubar os preços dos alimentos, mas ante o novo panorama mundial, o Executivo se viu obrigado a suspendê-la temporariamente em setembro passado.
Outro ponto incluído na reforma da política agrícola comum para conter a subida de preços é o aumento das cotas de produção de leite, que deverão desaparecer por completo até 2015. A proposta terá que ser negociada entre os governos dos 27 países que integram a UE e aprovada por unanimidade.
O debate promete ser polarizado por um grupo liderado de um lado por França e Espanha, maiores receptores dos fundos europeus para a agricultura, e de outro lado por Grã-Bretanha e Alemanha, que defendem que atual sistema de ajudas é caro, antiquado e ineficiente.
Apesar de não ter poder de decisão em questões agrícolas, o Parlamento Europeu também participará do debate, sob a pressão do forte lobby agrícola em Bruxelas, que insistirá em manter as ajudas diretas aos agricultores.
Reforma agrícola na Europa prevê cortes em subsídios
Terça, 20 de Maio de 2008 às 08:10, por: CdB