Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Reforma Agrária - Economia repete padrão do regime militar

O governo brasileiro está reproduzindo no campo um modelo econômico reciclado do período militar. A avaliação é do economista Guilherme Delgado, um dos principais intelectuais que elaboraram, em 2003, o Plano Nacional de Reforma Agrária (PNRA), coordenado pelo advogado Plínio de Arruda Sampaio. Delgado é economista e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Delgado, que concedeu esta semana uma entrevista ao jornal Brasil de Fato, também compõe a Comissão Brasileira de Justiça e Paz. (Leia Mais)

Quinta, 06 de Janeiro de 2005 às 10:11, por: CdB

O governo brasileiro está reproduzindo no campo um modelo econômico reciclado do período militar. A avaliação é do economista Guilherme Delgado, um dos principais intelectuais que elaboraram, em 2003, o Plano Nacional de Reforma Agrária (PNRA), coordenado pelo advogado Plínio de Arruda Sampaio. Delgado é economista e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Delgado, que concedeu esta semana uma entrevista ao jornal Brasil de Fato, também compõe a Comissão Brasileira de Justiça e Paz. As propostas do plano foram levadas como sugestões para as políticas do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Para Delgado, o modelo atual de crescimento não traz desenvolvimento, pois concentra renda, terra e gera exclusão. O economista avalia que a ausência de políticas públicas massivas pela reforma agrária esconde a face perversa do agronegócio brasileiro, um modelo que se aproveita da acumulação financeira a partir do latifúndio improdutivo.

 

- A esquerda vive, hoje, uma crise de paradigma e alguns setores entendem que, no Brasil, a reforma agrária não é mais uma necessidade estrutural da realidade socioeconômica. Seria apenas uma política compensatória restrita a algumas regiões?

 

- Isso equivale a dizer que não existe questão agrária no Brasil e que o capitalismo resolveu todos os nossos problemas. Essa tese é tão velha quanto o debate que se estabeleceu entre Delfim Neto e Celso Furtado. Delfim defendia que não existia uma questão agrária porque tudo na agricultura se resolveria com insumos, mecanização, educação, fertilizantes. O mercado resolveria o problema da economia agrária. Antes, era a direita que dizia isso com todas as letras. A novidade agora é que algumas pessoas perderam a dimensão histórica da necessidade de mudança nas relações sociais agrárias, que é a essência da reforma agrária. A questão agrária hoje é diferente, mas não é inexistente. Temos um novo padrão de desenvolvimento da economia, uma nova relação de inserção internacional, mas você continua tento uma agricultura familiar pauperizada em que três quartos dessa população plantam apenas para subsistência. Nós continuamos tendo um dos mais altos níveis de concentração fundiária, mais elevados do que o de concentração de renda. Há um desemprego aberto muito grande, até por causa do agronegócio, que não precisa de força de trabalho. Você tem uma economia política agrária em que proprietários da terra ligados ao agronegócio são os proprietários do Brasil rural. Por conta de tudo isso, temos uma questão agrária forte. Basta ir aos municípios de maior pujança do agronegócio, como no sul de Goiás ou Uberlândia, para ver que, quanto mais vigoroso o crescimento da economia, maior a desigualdade entre grandes proprietários e a agricultura familiar, os sem-terra. Se quisermos um desenvolvimento dentro de uma perspectiva de eqüidade e igualdade, isso passa necessariamente por uma política agrária de mudanças nos padrões de assimilação da agricultura familiar, fomento produtivo, enfim, medidas para a inserção dessa massa de gente que está fora da economia real. Eu não posso pensar em um modelo de desenvolvimento que, no rural, beneficia apenas 5% dos estabelecimentos e o restante fica restrito à economia de subsistência. Esse é o padrão do agronegócio. Quem pensa assim, não pensa em uma nova estrutura de produção para gerar emprego e renda.

 

- A reforma agrária seria uma aposta na expansão de nosso mercado interno, en

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