Os clubes adoram reclamar que o calendário nacional faz com que eles fiquem sem jogadores importantes no meio do Brasileiro, já que seus atletas são presas fáceis para os ricos clubes europeus.
Mas essa mesma regra, só que com o sinal invertido, é fundamental na campanha dos três times que lutam pelo título com mais chances e na de duas equipes com reações espetaculares.
Corinthians, Inter, Fluminense (os que lutam pela taça), São Paulo e Atlético-PR (que chegaram a ficar na zona de rebaixamento) têm as melhores campanhas do segundo turno da competição.
Todos arrancaram e aumentaram consideravelmente suas médias de gols marcados com a contratação de atletas para o ataque no meio da competição.
O corintiano Nilmar, o colorado Rentería, o tricolor carioca Petkovic, o são-paulino Amoroso e o atleticano Finazzi entraram bem e ainda fizeram os companheiros que estavam há mais tempo nesses clubes jogarem melhor.
O maior efeito disso está na média de gols marcados. Exemplo mais claro é o que acontece com o Atlético-PR. Nos jogos em que escalou Finazzi, o time paranaense tem uma média de tentos 182% superior em relação ao jogos que não teve ele nos gramados.
O atacante marcou 11 vezes e já é o vice-artilheiro do clube.
Entretanto Mario Celso Petraglia, dirigente do clube paranaense, é um dos críticos ao calendário atual.
O descompasso dos calendários brasileiro e europeu enfraquece nosso produto. O nível técnico do campeonato cai no segundo turno, com a saída dos brasileiros - disse, citando os exemplos de Cruzeiro e Santos, que perderam Fred e Robinho.
Amoroso também chegou ao São Paulo com a bola já rolando no Nacional. Mesmo assim lidera a artilharia do time, com 12 gols.
Assim como o time superado por ele na final da Libertadores, o São Paulo acredita que o desencontro dos calendários é ruim para o Brasil.
- Temos simpatia pela sintonia com o que ocorre na Europa - afirmou João Paulo de Jesus Lopes, diretor de planejamento do time do Morumbi.
Sem o mesmo faro goleador de Amoroso e Finazzi, Nilmar, Petkovic e Rentería têm como grande mérito a capacidade de fazer o desempenho dos parceiros melhorar de forma significativa.
CBF E ADEQUAÇÃO
Em agosto, ao divulgar o planejamento para 2006, Ricardo Teixeira, presidente da CBF, acenou com a idéia de o Brasileiro seguir o calendário europeu no ano seguinte. Nesse molde, o Nacional-07 começaria em agosto e acabaria no primeiro semestre do ano seguinte.
Dona dos direitos de transmissão do evento, a TV Globo, apoiada pelo Clube dos 13, é contra a proposta.
Para ela, como o mercado publicitário tem os orçamentos definidos anualmente, fracionar torneios em dois anos diminuirá as cotas.
Enquanto jogou sem Nilmar, Tevez marcava, em média, 0,6 gol por partida. Depois da contratação do atacante, o argentino passou a marcar 0,82 tento por jogo.
- Não o conhecia, mas estamos nos entendendo muito bem - comemora a mais cara contratação do futebol nacional.
"Milagre" parecido fez Petkovic no Fluminense.
A média de gols do clube carioca com ele em campo aumentou 66%. Jogadores que estavam em fase ruim -como Tuta- passaram a encontrar o caminho das redes com as assistências do veterano sérvio.
Rentería ainda não é titular absoluto no Internacional, mas nos oito jogos em que ele esteve em campo seu time, dono do ataque menos produtivo entre os três favoritos ao título, sempre conseguiu balançar as redes.
JOGADORES RECUPERAM A FAMA
Com exceção de Finazzi, que o Atlético-PR foi buscar no Paulista de Jundiaí, os outros quatro jogadores que mudaram o rumo dos melhores do segundo turno do Nacional foram "repatriados" por suas atuais equipes.
Nilmar, Rentería, Petkovic e Amoroso defendiam, antes de seus empregos atuais, clubes do exterior.
Nenhum deles teve um custo exagerado, levando-se em consideração as cifras do mercado internacion