Rio de Janeiro, 27 de Janeiro de 2026

Reforço militar turco cria tensão na fronteira com Iraque

Quarta, 30 de Maio de 2007 às 08:28, por: CdB

A Turquia enviou na quarta-feira mais tanques para sua fronteira com o Iraque, o que aumentou a preocupação dos Estados Unidos com uma possível incursão contra rebeldes curdos ao Norte da divisa iraquiana.

Vinte tanques dentro de caminhões saíram de quartéis em Mardin, perto da Síria, em direção à fronteira com o Iraque, no sudeste turco, onde já ocorre uma grande ofensiva do Exército contra os rebeldes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).

As especulações sobre uma iminente incursão no Iraque cresceram desde que o primeiro-ministro Tayyip Erdogan afirmou na semana passada ter discutido essa hipótese com os militares, apesar do desconforto dos EUA, parceiro da Turquia na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Também há tensão ao longo da fronteira, onde muitos aldeões curdos participam de uma milícia patrocinada pelo governo para combater o PKK junto com o Exército.

"Apoiamos as operações nas montanhas aqui porque o PKK nos fez sofrer muito. Perdi dez pessoas da minha família", disse Nadir Karadeniz, funcionário público na aldeia de Gorumlu, perto de um quartel a poucos quilômetros da fronteira.

Mas há relutância em levar a luta para as montanhas iraquianas, onde milhares de combatentes do PKK se abrigam, devido à forte oposição por parte do líder curdo iraquiano, Massoud Barzani, uma figura respeitada entre os curdos da Turquia.

"Não acho que seria bom ir para o norte do Iraque, porque Barzani disse que não aceitaria soldados turcos ali", afirmou Karadeniz, antes que um jipe militar chegasse à aldeia para expulsar os jornalistas.

As operações militares atualmente se voltam contra rebeldes que já estejam em território turco. As forças de segurança mataram 10 combatentes do PKK em confrontos pelo sudeste do país na terça-feira.

Os EUA pedem repetidamente à Turquia que não invada o Iraque, por considerar que isso iria complicar a situação. Os dois países concordaram em várias medidas, inclusive financeiras, para tentar conter o PKK.

Na região, a preocupação é com possíveis danos às relações entre curdos e turcos e à economia local. Os dois lados da fronteira têm grandes afinidades étnicas e comerciais.

Em outras áreas da Turquia, porém, a pressão por uma incursão cresce desde um atentado suicida na semana passada em Ancara, que matou seis pessoas e feriu várias outras. As autoridades atribuíram o ataque ao PKK, que negou envolvimento.

Um dia depois, seis soldados foram mortos na explosão de seu veículo por uma mina, supostamente deixada por guerrilheiros separatistas.

Mais de 30 mil pessoas já morreram no conflito com o PKK desde que o grupo iniciou sua luta armada, em 1984.

 

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