Rio de Janeiro, 05 de Setembro de 2026

Refletindo sobre a política de segurança no Rio de Janeiro

Domingo, 22 de Maio de 2011 às 11:25, por: CdB

Por João Brandão 22/05/2011 às 17:09

Debate sobre a política de segurança pública no Rio no contexto dos megaeventos esportivos.

Para iniciar a conversa, é importante destacar que o debate aqui pretendido não se propõe a uma interpretação de ?certo? ou ?errado?. Mas sim, trazer alguns elementos para a reflexão coletiva sobre a questão dos megaeventos esportivos no Rio de Janeiro.
Por que a mídia e os políticos são tão caras de pau a ponto de usar de artifícios, artimanhas e jogos de palavras para justificar coisas óbvias e claras para a sociedade carioca? As inúmeras declarações que foram feitas após a ?retomada? do Complexo do Alemão no ano passado me instigaram à elaboração desta reflexão.
A ação foi organizada tendo como foco e ação evidentes, os megaeventos esportivos que o Rio de Janeiro irá sediar: Jogos Mundiais Militares, Copa Mundo, Olimpíadas, dentre outros. Eventos estes que, supostamente, irão colocar a cidade na rota do turismo internacional.
Defendo o debate casado, pois a comunidade do Complexo do Alemão necessitava e necessita da ação do Estado, com políticas públicas e projetos que recuperem a auto-estima deste povo que já vivia em condições sub-humanas.
Os ?barões? do tráfico faziam o que queriam naquela comunidade: matavam, roubavam, traficavam e mais todos os ?avam? que pudessem existir. Entretanto, a ?retomada? do Complexo do Alemão - como foi chamada pela mídia a ação ocorrida ano passado que gerou a ocupação desta comunidade por forças de segurança- foi na verdade uma ação de limpeza social com o propósito de iniciar o projeto de segurança pública planejado para atender aos megaeventos esportivos anteriormente citados.
Muitos podem vir a dizer que este professor de educação física está maluco, pois falta muito para a Copa do Mundo e para os Jogos Olímpicos. Porém, nenhuma política de Estado é feita em curto prazo. Nenhuma ação que envolva a opinião pública, não é previamente calculada e operada. E nenhuma política de garantia das condições mínimas para realização desses megaeventos é feita de um dia para o outro.
Vamos fazer um exercício de avaliação? Muitos não tinham conhecimento sobre a real dimensão do tráfico de drogas, até que a operação do Complexo do Alemão se efetivasse. Quero dizer, não somente a existência de toneladas de drogas na comunidade, mas também armas, motos e etc. Enfim, o tamanho do poder do exército do crime naquele lugar que foi percebido através das imagens exibidas na televisão e jornais do dia seguinte.
Imagine essa situação piorando gradualmente no mesmo ritmo? Imagine as estruturas do crime se expandindo exponencialmente? Amigos, depois desse exercício que propus, quero que cada um tire suas próprias conclusões, pois não sou eu o dono da verdade e muito menos especialista no assunto.
Para mim ficou muito claro duas coisas: primeiro, a entrada do Estado no Complexo Alemão era necessária com ou sem a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, pois a comunidade historicamente viveu refém do crime organizado. Entretanto, isso poderia ter sido feito sem a espetacularização da mídia e sem a morte de tantos inocentes. Segundo, cabe questionar: qual é o verdadeiro projeto de segurança em longo prazo do Estado do Rio de Janeiro? Como este será feito: respeitando ou violando os direitos humanos? Quem serão os indivíduos beneficiados? E se até 2016 esses problemas não forem solucionados? Quando serão novamente pensados? Quando o Rio for escolhido para ser sede de outros megaeventos?

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