Os dois helicópteros venezuelanos com o emblema do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, que deixaram a cidade de San José de Guaviare, na Colômbia, rumo ao local sigiloso onde foi concretizada a libertação de duas reféns em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), já estão de volta à Venezuela. O informe, divulgado no meio da tarde desta quinta-feira, é de autoria do presidente venezuelano, Hugo Chávez.
As aeronaves deixaram a Venezuela ainda na manhã desta quinta-feira e chegaram a San José de Guaviare, onde receberam do grupo guerrilheiro as coordenadas exatas para encontrar Clara Rojas, ex-assessora da ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, também seqüestrada, e da ex-congressista Consuelo González de Perdomo. Clara e Consuelo regressaram à Venezuela onde foram recebidas por suas famílias e pelo presidente Chávez, para quem a guerrilha prometeu entregar as duas mulheres.
Os parentes das reféns, em cativeiro há mais de seis anos, chegaram a Caracas no dia 27 de dezembro, quando ainda tinham esperanças de que o resgate pudesse ocorrer antes do Ano Novo.
A operação, realizada nesta quinta-feira, foi tratada com sigilo. No local de resgate, conforme informou o jornal El Tiempo, estava apenas o ministro venezuelano de Interior e Justiça, Ramón Rodríguez Chacín, coordenador da operação, um assistente do ministro, um médico e um jornalista venezuelano, além de alguns integrantes da Cruz Vermelha Internacional.
O ministro colombiano de Defesa, Juan Manuel Santos, anunciou ter determinado a suspensão das operações militares na zona em que a libertação poderá ocorrer. As ações de combate à guerrilha deveriam ser interrompidas às 6h local (8h de Brasília) e deve durar pelo menos 12 horas. Na primeira tentativa de resgate das reféns, frustrada no dia 31, as Farc acusaram o governo da Colômbia de ter aumentado a ofensiva na selva, o que teria impedido a guerrilha de entregar os reféns.
Pouco tempo depois, a partir de uma hipótese levantada pelo presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, veio à tona a informação de que o menino Emmanuel, que estaria em cativeiro com a mãe Clara, estaria em um orfanato em Bogotá. O ministro da Defesa disse na noite desta quarta-feira estar disposto a prolongar o prazo do cessar-fogo se algum inconveniente, como más condições metereológicas, dificultarem a missão.
Desagravo a Chávez
A operação de resgate foi autorizada pelo governo da Colômbia nesta quarta-feira imediatamente após o presidente venezuelano, Hugo Chávez, anunciar que havia recebido as coordenadas das Farc sobre a localização em que seriam entregues as reféns. Se concretizado o resgate, será a primeira vez na história do conflito colombiano que as Farc libertam um grupo de reféns de maneira incondicional e unilateral.
Em dezembro, as Farc anunciaram que entregariam os reféns como um 'ato de desagravo' ao presidente Chávez e aos familiares dos reféns, em resposta à decisão de Uribe de terminar com a mediação do presidente venezuelano no acordo humanitário entre a guerrilha e o governo da Colômbia. Para os familiares dos seqüestrados, a libertação de Clara e Consuelo reacende a esperança sobre a concretização de um acordo humanitário mais amplo, interrompido desde o fim da mediação de Chávez, que previa a libertação de 43 reféns em troca de 500 guerrilheiros presos.