A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para 41 itens de material de construção, anunciada nesta terça-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, terá impacto de menos de 3% para o consumidor final. A estimativa é do presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão. O decreto presidencial isenta a cobrança do IPI sobre 13 materiais de construção e reduz para 5% a alíquota para 28 produtos.
- Nós temos estudos feitos, com todas as alíquotas zerando, que giram em torno de 3% de redução do custo final. É claro que, como essas alíquotas não foram zeradas, certamente será um impacto final menor do que 3% - explicou Simão.
Segundo Simão, a mudança beneficiará mais a iniciativa individual do que a construção civil.
- Qualquer que seja o impacto, se ele, de fato, for repassado para o mutuário final, é importante. Eu acho que ele vai beneficiar muito mais esse 'comércio formiguinha' do que propriamente a construção civil - avaliou.
O governo também anunciou investimento de R$ 18,7 bilhões no setor de habitação. Com esse total, o presidente da CBIC estima que seja possível construir cerca de 350 mil moradias neste ano e gerar aproximadamente 700 mil empregos diretos. O cálculo leva em consideração a hipótese de que 80% dos recursos sejam investidos na construção de novos imóveis.
- Isso pode vir a contribuir na renda, no emprego, no crescimento do PIB [Produto Interno Bruto], e o mais importante, aquilo que o presidente disse, na redução do déficit habitacional - afirmou Simão.
Os recursos também podem ser destinados para programas de aquisição de imóveis usados e para a compra de material de construção. Segundo ele, apenas com os R$ 8,7 bilhões que estão previstos pelo pacote de medidas para financiamento com recursos de cadernetas de poupança, será possível construir mais de 100 mil imóveis, aumento em torno de 40% em relação a 2005, quando foram liberados R$ 4,8 bilhões nessa modalidade de financiamento.
Simão acrescentou que as medidas podem contribuir para a retomada do crescimento do setor, que, no ano passado, teve aumento de menos de 1%.
- Eu gostaria muito de crescer no mesmo nível de 2004 que foi 5,7% - disse Simão, que também considera a realização de obras de infra-estrutura essencial para o desempenho do setor.