Rio de Janeiro, 04 de Maio de 2026

Redução da taxa básica de juros pelo Banco Central anima europeus

O fortalecimento do real, além da ortodoxia orçamentária, está permitindo uma "guinada monetária" sem precedentes no Brasil. É dessa forma que os meios financeiros europeus, segundo o jornal Le Monde, estão interpretando a decisão de quarta-feira do Banco Central, reduzindo de 19,5% para 19% a taxa básica de juros. (Leia Mais)

Sábado, 22 de Outubro de 2005 às 09:01, por: CdB

O fortalecimento do real, além da ortodoxia orçamentária, está permitindo uma "guinada monetária" sem precedentes no Brasil. É dessa forma que os meios financeiros europeus, segundo o jornal Le Monde, estão interpretando a decisão de quarta-feira do Banco Central, reduzindo de 19,5% para 19% a taxa básica de juros. Até então, a estratégia do Banco Central vinha sendo muito criticada pela oposição e também por setores do governo, em razão de seu caráter restritivo. Os industriais brasileiros não perdoavam o governo convencidos de que as taxas de juros elevadas constituíam um freio para as exportações brasileiras.

Essa queda de 0,5 ponto porcentual, entretanto, não deverá prejudicar o fluxo de investimentos estrangeiros para o Brasil, que continua a ser muito atrativo, havendo ainda margem para um novo passo semelhante. Além do mais, a flexibilidade da política monetária não ameaça o sucesso na luta contra a inflação, depois de o Banco Central ter revisto suas previsões inflacionárias para o ano, caindo de 5,8 para 5%. Isso se deve, em parte, à valorização do real em relação ao dólar, de 19% desde o inicio do ano.

Como reverso da medalha, além dessa situação prejudicar as exportações, atinge também o crescimento econômico, que não deverá ultrapassar 3,5% este ano, ante 5% em 2004. Apesar do passo em boa direção, os industriais brasileiros consideram que as taxas de juros continuam muito elevadas.

A queda das taxas também reflete a política orçamentária ortodoxa do governo. De janeiro a agosto, o País apresentou superávit primário de cerca de R$ 79 bilhões, ou, 6,3% do PIB - mais de 2 pontos acima do objetivo de 4,25% fixado pelo governo.

Tags:
Edições digital e impressa