Dois deputados brigaram nesta terça-feira no salão verde da Câmara por causa da redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, tema que ganhou força com a morte de um casal de namorados, em São Paulo, que contou com a participação de um menor.
Em entrevista para a TV, o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), defendia a tese de que maiores de 16 deve ser responsabilizados criminalmente por seus atos. Em seguida, seria a vez da deputada Maria do Rosário (PT-RS), dar sua opinião sobre o assunto.
- Eu nem havia acabado de falar e ela interrompeu a entrevista - disse Bolsonaro, que sugeriu que a deputada colocasse um marginal menor de idade para dirigir o carro que levasse seu filho à escola.
Ela retrucou, chamando o deputado de "estuprador". Ele não ficou calado. "Estuprador é seu cunhado" (nesta semana, o cunhado da deputada foi flagrado em companhia de garotas de apenas 11 anos).
A troca de agressões continuou. A deputada disse ter sido chamada de vagabunda. Segundo a assessoria dela, Bolsonaro teria dado um empurrão na deputada. "Não vou sair correndo pelo salão verde se ela tenta me bater. Apenas tentei contê-la", disse Bolsonaro, que é militar.
Aos gritos, Maria do Rosário afirmou que Bolsonaro estava tentando agredi-la. Saiu chorando, dizendo que ia fazê-lo engolir o que disse, que era uma mulher honesta. "Ela aloprou", afirmou o deputado.
A discussão continuou no plenário. O deputado Inocêncio Oliveira, que presidia a sessão, disse que pedirá a fita da TV e tomará providências. O líder do PT, Nelson Pelegrino (SP) avisou que entrará com uma representação por falta de decoro contra o Bolsonaro no Conselho de Ética.
Redução da maioridade penal causa brigas entre deputados
Terça, 11 de Novembro de 2003 às 19:50, por: CdB