Por Joga lama Geni 14/07/2011 às 14:21
A Rede Globo tá tentando desclassificar as Agências de Classificação de Risco que estão colocando em xeque a possibilidade do governo americano não honrar seus compromissos financeiros caso os ricaços do partido republicano não avalizem a elevação do teto de endividamento, que terá como contrapartida uma maior taxação da fortuna desses ricaços.
Ontem o Jornal Nacional questionou o quase-prognóstico quase-auto-realizável da agência de classificação de risco Moody's de que crescem as possibilidades de não elevação do teto de endividamento do governo americano, o que, na prática, significará calote, pois credores novos não emprestarão dinheiro ao governo a fim de que este pague os credores antigos parte de seus títulos vencidos e vincendos.
O Repórter correspondente do Jornal Nacional nos EUA disse ontem:
"O problema é que uma nota ruim pode acabar piorando uma situação que já não é boa e, por isso mesmo, essas agências provocam muita polêmica mundo afora. Na crise financeira de 2008, que se espalhou dos Estados Unidos para o mundo, nenhuma agência antecipou que as coisas poderiam dar errado no mercado imobiliário americano."
Ou seja, os pitacos das agências de riscos não são confiáveis, pois elas não previram o estouro da bolha imobiliária. Portanto, porque confiar na Moody's agora?
Hoje foi a vez do Bom Dia Brasil:
"Agências não rebaixam Estados Unidos, mas alertam para crise
"O país continua sendo AAA, que é a melhor nota possível. Apenas colocaram um sinal negativo. Pode ser que caia", explica Miriam Leitão.
Moratória é uma palavra mais suave para explicar a crise nos Estados Unidos, porque o nome é calote. É a primeira vez que se ouve isso quando se fala nos americanos. A briga política está cada vez pior, porque os republicanos estão levando até o último minuto a disputa para ver se aumenta o teto do endividamento americano ou não.
Concretamente, há um risco. A pergunta é: por que a gente leva a sério as agências? A gente pode não levar a sério, mas o mercado leva. Dentro dos fundos de investimento, que são os grandes compradores de papel no mundo inteiro, tem regras. Se tiver uma nota baixa, não pode comprar esses papéis.
Mas as agências não rebaixaram os Estados Unidos. O país continua sendo AAA, que é a melhor nota possível. Apenas colocaram um sinal negativo. Pode ser que caia. É um alerta."
No dia 12 do corrente mês, a Miriam Leitão disse que enquanto a crise da Europa é econômica, a crise dos EUA é apenas política:
"O que se discute é o seguinte: 2 de agosto é o dia em que a dívida americana chega no teto. Então, tem de ampliar esse teto para que continue rolando a dívida. Mas todo mundo compra títulos da dívida americana, inclusive o Brasil, que sempre teve facilidade. Nos Estados Unidos, não é dificuldade de pagamento. Lá é briga política entre republicanos e democratas. O mundo está enfrentando uma nova turbulência."
Ontem o Willian Bonner (Jornal Nacional) disse que a novela não é apenas política mas também econômica:
"O mundo inteiro tem assistido a uma novela política e econômica, nos Estados Unidos. O presidente Barack Obama quer aumentar o limite máximo de endividamento do país. Os parlamentares da oposição não querem. Nesta quarta-feira (13), essa novela teve mais um capítulo, mas o protagonista foi um figurante na história: a agência de classificação de risco Moody's."
Vamos ver se a Rede Globo vai baixar ainda mais a nota das agências de classificação de risco que ameaçarem, com bases em dados reais, rebaixarem a nota dos EUA.