Rio de Janeiro, 25 de Outubro de 2026

Rede destaca desvantagens em Tratado de Livre Comércio com Canadá

Quarta, 31 de Agosto de 2011 às 20:47, por: CdB

No dia 15 de agosto deste ano, entrou em vigor o Tratado de Livre Comércio entre Colômbia e Canadá. O fato, celebrado pelo governo do presidente colombiano Juan Manuel Santos, é alvo de críticas contundentes por parte da Rede Colombiana de Ação Frente ao Livre Comércio (Recalca), que divulgou comunicado hoje (31) sobre o assunto.

Falta de oferta exportável e condições infraestruturais para exportação, impacto insignificante do acordo no Produto Interno Bruto (PIB) colombiano, protecionismo por parte do Estado canadense e diminuição dos investimentos no mercado interno – quando vários países seguem essa tendência, após a crise mundial de 2008 –, são os principais pontos abordados pela rede, que considera o acordo "outro passo em falso e na direção equivocada”.

De acordo com o comunicado, a principal ameaça do tratado é o fato de significar uma "porta de entrada” para acordos com países como Estados Unidos e membros da União Europeia. A possibilidade é comemorada pelo governo, que além do acordo com o Canadá, mantém outro com a Suíça, desde maio.

O impacto do acordo com Canadá será muito baixo no PIB colombiano: apenas 0,06%, e de 0,21 nas exportações. Recalca alerta ainda que se manterá lógica comercial injusta, pois o país desenvolvido importa produtos básicos, a baixos preços, e exporta máquinas e tecnologia de ponta para o país subdesenvolvido.

Além de sair perdendo nessa conta desigual, a Colômbia não tem boa "oferta exportável”, segundo o comunicado. Isso ocorre porque o Canadá fica distante e há países bem mais próximos que oferecem os mesmos produtos colombianos, por menores preços. Outro obstáculo é o protecionismo do Estado canadense. O açúcar, produto relevante na economia colombiana, só terá acesso livre ao Canadá daqui a 17 anos. Porém, o trigo produzido no Canadá poderá ser vendido aos colombianos imediatamente.

Os poucos produtos básicos e não essenciais que poderão ser exportados da Colômbia, terão de atender a rígidas medidas de controle sanitário e fitosanitários, de rotulagem e outras, o que dificulta ainda mais a comercialização.

Na avaliação da Recalca, o erro da Colômbia consiste em dar as costas aos mercados latino-americanos e em não investir no próprio mercado interno. Enquanto exportará produtos como azeites, cacau, cigarros e frutas, "castiga o mercado interno e em lugar de fomentar a produção que beneficiaria a milhares de colombianas e colombianos, se pensa em satisfazer gostos marginais e exóticos dos consumidores canadenses”, aponta.

Entre as vantagens oferecidas ao Canadá, estão facilidades em investimentos em serviços financeiros, telecomunicações e mineração. A rede denuncia que estes investimentos constituem 13,5% do total de investimentos estrangeiros na Colômbia, mas não se traduzem em desenvolvimento para o país, apenas em mais exploração de mão de obra barata.

"Pelo contrário, constituem negócios suculentos para os grandes capitais radicados no Canadá, que o convertem em uma espécie de paraíso fiscal para as multinacionais mineiras de todo o planeta”, ressalta.

O comunicado pontua ainda que, em um país onde 60% da população está na linha da pobreza, há três milhões de desempregados e quatro milhões de deslocados. Os anexos do acordo referentes a direitos humanos e meio ambiente apenas escondem "a realidade do tremendo negócio que se oferece aos canadenses”.

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