Rio de Janeiro, 06 de Novembro de 2026

Rede denuncia parcialidade em análises laboratoriais de agrotóxicos

Segunda, 19 de Setembro de 2011 às 11:44, por: CdB

A Rede Nacional de Ação Ecológica da Argentina(Renace) lançou informe hoje (19) em que denuncia parcialidade em análiseslaboratoriais de produtos agrotóxicos. O fato ficou explícito em resposta emitida,no último dia 12, pelo próprio secretário de Agricultura, Pecuária e Pesca(Senasa), engenheiro Lorenzo Basso.

Pesquisadores independentes solicitaram, no iníciode junho, informação sobre os princípios ativos, substânciasativas, grau técnico, produtos formulados e agrotóxicos em geral. O pedido foimotivado por suspeita de que os ingredientes estão causando danos às pessoas e aomeio ambiente.

De fato, a resposta do secretário acabou por alimentaro receio. Ele reconheceu que até a data de emissão da nota ainda não estavafirmado o projeto de resolução de limitação e proibição do uso do Endosulfán,agrotóxico altamente contaminante, já proibido em muitos países.

Com relaçãoà parcialidade das análises, Basso reconhece que oServiço Nacional de Saúde e Qualidade Agroalimentar (Senasa) não realiza testesde toxicidade, apenas avalia testes realizados por outros laboratóriosinscritos na Rede de Laboratórios do Senasa. Contudo, nesta lista constamlaboratórios diretamente vinculados a empresas que submetem seus produtos àanálise para inscrição. É o caso, por exemplo, de Agrofina, Atanor, Monsanto,Basf, Battelle, Bayer, Dow AgroSciences, entre outras.

"Assim, o informe do secretário confirmaoficialmente que os laboratórios inscritos na Rede de Laboratórios do Senasaque realizam ensaios toxicológicos dos agroquímicos incluem, em um grau muitoimportante, os que estão vinculados ou são as mesmas empresas que os produzem ecomercializam. Desta maneira, estariam fazendo as vezes de juízes e parte naavaliação toxicológica dos agrotóxicos pulverizados que danificam cada vez maiso ambiente e as pessoas afetadas”, conclui o texto da Renace..

Essa práticaé ilegal, lembra a Renace, uma vez que a resolução 736/2006 SAGPYA, que cria eregula a Rede de Laboratórios do Senasa, determina claramente, em seu artigo9º, que qualquer vinculação entre laboratório e empresa cujo material seráavaliado pode afetar a independência de juízo.

Basso reconheceuainda que os testes toxicológicos dos produtos apresentados para inscriçãopertencem às próprias empresas, sendo de caráter reservado. "Isto significa quenão foram publicados nem foram submetidos a críticas de pares, pelo que não seconhece a validade dos procedimentos utilizados na realização de tais testes”,alerta a Rede.

Outroproblema apontado pela Renace diz respeito à metodologia da Dose Letal 50%aguda, empregada pela avaliar a toxicidade dos produtos. Os ativistas aconsideram insuficiente, pois não leva em conta a toxicidade subletal, nem acrônica, fazendo parecer que o pesticida é menos danoso do que realmente é. 415princípios ativos foram classificados sob esta metodologia.

Além disso,o comunicado do secretário informa que os profissionais que fazem as análisessão agrônomos das áreas da toxicologia e eficácia, pertencentes ao Diretório deAgroquímicos e Biológicos. Já os profissionais que avaliam a informaçãoconfidencial, são formados em Química.

Para maisinformações, acesse www.renace.net

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