Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Recuperação dos EUA no trimestre é pior do que se esperava

Quinta, 27 de Maio de 2010 às 10:39, por: CdB

O crescimento da economia norte-americana no primeiro trimestre foi menor do que o estimado inicialmente, com uma desaceleração nos investimentos privados, enquanto os governos federal e estadual reduziram os gastos no maior ritmo desde 1981. O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos cresceu 3% em termos anuais, informou o Departamento de Comércio nesta quinta-feira, ao invés da taxa de 3,2% informada anteriormente. Analistas ouvidos pela Reuters previam que o PIB cresceria 3,4% entre janeiro e março.

No quarto trimestre do ano passado, a economia norte-americana se expandiu 5,6%, e agora já cresce por três trimestres consecutivos. Economistas estão acompanhando de perto a recuperação econômica dos EUA para ver se o país pode resistir aos problemas de dívida que ameaçam retardar o crescimento da Europa. O crescimento acima da tendência no primeiro trimestre sugere uma sólida base de sustentação.

– Os números estão um pouco abaixo das expectativas, mas mostram que a economia norte-americana está em recuperação – disse Subodh Kumar, estrategista-chefe de investimentos da Subodh Kumar & Associates, em Toronto.

Outros dados mostraram que o número de pedidos de auxílio-desemprego caiu para 460 mil na semana passsada, de 474 mil na semana anterior, segundo o Departamento de Trabalho, indicando uma melhora gradual no mercado de trabalho.

Queda no investimento

A produção econômica dos EUA nos primeiros três meses do ano foi revisada para baixo à medida que o investimento privado aumentou apenas 3,1% ao invés da taxa de 4,1% divulgada no mês passado. O gasto cresceu 5,3% no quarto trimestre. O investimento empresarial em softwares e equipamentos cresceu 12,7%, e não 13,4% como informado antes.

O gasto dos governos federal e locais encolheu 3,9%, maior declínio desde o segundo trimestre de 1981. Mas o gasto do consumidor, fundamental para a recuperação da economia, manteve-se firme. O gasto do consumidor subiu 3,5%, comparado à taxa de 3,6% informada anteriormente. Mesmo que tenha sido revisada ligeiramente para baixo, a taxa ainda foi mais que o dobro do ritmo de 1,6% do quarto trimestre e o maior avanço desde o primeiro trimestre de 2007.

A contribuição do gasto do consumidor para o PIB foi de 2,42 pontos percentuais, a maior desde o primeiro trimestre de 2007. As vendas reais a consumidores domésticos, consideradas uma medida melhor da demanda doméstica, cresceram 2%. Antes, estimava-se que as vendas tivessem subido 2,2%, após o aumento de 1,4% no quarto trimestre.

A recuperação da mais longa e produnda recessão desde a Grande Depressão tem sido induzida pelo setor manufatureiro, enquanto as empresas refazem estoques para responder ao fortalecimento da demanda. Agora, os consumidores também estão participando da retomada com o início da estabilização do mercado de trabalho. O relatório também mostrou que o lucro corporativo após impostos subiu 2,1% no primeiro trimestre, ante alta de 6,5% nos últimos três meses de 2009. A desaceleração desse item pode contrariar as esperanças de rápida melhora do mercado de trabalho.

Estoques

No primeiro trimestre, a reconstrução de estoques pelas empresas ganhou velocidade. Os estoques empresariais subiram US$ 33,9 bilhões, ao invés de US$ 31,1 bilhões da divulgação anterior. Foi a primeira alta desde o primeiro trimestre de 2008. Isso contribuiu com 1,65 ponto percentual à produção econômica total. Sem o impulso dos estoques, a economia dos EUA avançou 1,4%, e não 1,6%.

Além do fraco investimento estatal, a recessão no setor de construção também pesou. A construção de novas moradias caiu 10,7%, após crescer por dois trimestres consecutivos. Embora a desaceleração no crescimento das exportações não tenha sido tão forte quanto o estimado inicialmente, o dado foi ofuscado pelo aumento das importações. Isso resultou em déficit comercial que subtraiu 0,66 ponto percentual do PIB.

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