A reconstituição do assassinato do casal Richthofen está marcada para ocorrer às 10h desta quarta-feira. Ela poderá esclarecer se a filha do casal, Suzane, 19, ajudou o namorado e o irmão dele a assassinar Manfred e Marísia von Richthofen. O crime ocorreu na madrugada de 31 de outubro. O casal foi assassinado com pancadas na cabeça, em casa, na rua Zacarias de Góis, região do Brooklin, zona sul de São Paulo. Os três acusados estão detidos desde sexta-feira (8), quando, após aproximadamente 12 horas de depoimentos, confessaram participação no crime, segundo o DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa). Suzane, o namorado, Daniel Cravinhos de Paula e Silva, 21, e o irmão dele, Cristian, 26, participam da reconstituição. Eles devem estar presentes, mas podem se recusar a colaborar com os trabalhos. Será a primeira vez que eles vão se encontrar após a prisão. Em depoimento, Suzane disse que abriu a porta da casa, teve certeza de que os pais dormiam e acendeu a luz do corredor para facilitar o acesso de Daniel e Cristian. Ela disse que não estava no quarto enquanto seus pais eram golpeados com barras de ferro. No entanto, a participação de Suzane no crime ainda não está clara para a polícia. Ela teria ajudado a limpar o quarto depois da morte do casal. "Precisamos esclarecer a participação dela no crime. Não há indícios de que ela os golpeou, mas os depoimentos dos três têm muitas contradições, que vamos tentar esclarecer com a reconstituição", disse ontem a delegada Cíntia Tucunduva Gomes, responsável pelo inquérito. Suzane está detida no 89º DP (Portal do Morumbi) e os irmãos, no 77º DP (Santa Cecília). As armas usadas para o crime -barras de ferro recheadas com madeira- ainda não foram encontradas. Os acusados disseram à polícia que depositaram o material em uma lixeira na região do Ibirapuera, zona sul da cidade. O crime Os corpos de Manfred e Marísia foram descobertos na cama, na madrugada de 31 de outubro. O engenheiro tinha uma toalha branca no rosto e Marísia estava com um saco plástico na cabeça. Na sexta-feira (8), após depoimentos que se estenderam pela madrugada, a Polícia Civil anunciou ter desvendado o crime. Segundo o DHPP, Suzane, Daniel e Cristian planejaram e executaram o assassinato. A motivação seria a proibição do namoro de Suzane e Daniel e a consequente herança deixada pelo casal. Suzane afirmou que planejou a morte dos pais "por amor" ao namorado. A casa não tinha sinais de arrombamento e o alarme e sistema interno de televisão estavam desligados, o que levou a polícia a investigar a hipótese de o crime ter sido cometido por pessoas próximas às vítimas. A biblioteca estava revirada. Um revólver calibre 38, do engenheiro, foi encontrado ao lado da cama. Conforme a polícia, a arma não foi usada. Suzane disse à polícia, no dia do crime, que havia saído com o namorado e com o irmão na noite de 30 de outubro. Deixaram Andreas em um cibercafé e foram a um motel. Na volta, disse que encontrou as portas abertas e as luzes acesas. Na ocasião, informou aos policiais do 27º Distrito Policial o desaparecimento de R$ 8.000 e US$ 5.000. Durante novos depoimentos feitos ao DHPP, os policiais perceberam contradições entre as falas de Suzane, do irmão e do namorado. Jóias foram encontradas no sítio da namorada de Cristian, C., 16, em Mairinque (66 km a oeste de São Paulo). Ela é uma das testemunhas da polícia. Seu pai disse ontem, após depoimento da adolescente no DHPP, que Cristian chegou a ameaçar a filha de morte caso ela contasse para alguém sobre o assassinato. Disse também que Cristian passou com sua família o primeiro final de semana depois do crime, quando, provavelmente, escondeu as jóias na casa. Investigação Para desvendar o crime, a polícia investigou pessoas próximas ao casal e utilizou grampos telefônicos. Uma das suspeitas que levou à prisão dos acusados foi levantada por policiais do 27º Distrito Policial (Campo Belo). Eles avistaram
Reconstituição da morte do casal Richthofen será nesta quarta
A reconstituição do assassinato do casal Richthofen está marcada para ocorrer às 10h desta quarta-feira. Ela poderá esclarecer se a filha do casal, Suzane, 19, ajudou o namorado e o irmão dele a assassinar Manfred e Marísia von Richthofen. O crime ocorreu na madrugada de 31 de outubro. O casal foi assassinado com pancadas na cabeça, em casa, na rua Zacarias de Góis, região do Brooklin, zona sul de São Paulo.
Terça, 12 de Novembro de 2002 às 22:09, por: CdB