Rio de Janeiro, 29 de Outubro de 2026

Recôncavo baiano

Por Flavio Vitari - Essa semana vou começar uma série de reportagens sobre parte do recôncavo baiano. É uma região que fica no entorno da Baía de Todos os Santos com peculiaridades e costumes bem próprios. Região marcada pela intensa atividade marisqueira, preparações gastronômicas típicas, como a maniçoba, forte influência negra e indígena.

Sexta, 09 de Setembro de 2011 às 05:39, por: CdB

Essa semana vou começar uma série de reportagens sobre parte do recôncavo baiano. É uma região que fica no entorno da Baía de Todos os Santos com peculiaridades e costumes bem próprios. Região marcada pela intensa atividade marisqueira, preparações gastronômicas típicas, como a maniçoba, forte influência negra e indígena. O roteiro começará pela feira popular de Santo Amaro, onde se encontra de tudo, frutas, legumes, carnes, salgadas e defumadas, tabacaria, latícinios etc. Passaremos pelo Acupe, Distrito de Santo Amaro, que pleitea a sua autonomia, que nos dizeres do Sr. Agnaldo, exímio conhecedor dos costumes da região, significa localidade quente, e que os portugueses ali chegaram em 1501, se deparando com guerreiros índios tupinanbás. Região com forte apelo na atividade de pesca, com a coleta de inúmeros tipos de mariscos, pesca de crustáceos e peixes. Na localidade somente é usada até hoje as canoas indígenas feitas de tronco de árvore. O que, segundo o Sr. Agnaldo, está prestes a se perder em razão de imposição do Ibama. Depois visitaremos uma autêntica casa de farinha de produção de subsistência. O Sr Virgílio, tem a sua roça de mandioca, e produz semanalmente de 50 a 100 kg de farinha, que é vendida na sua casa para os consumidores que por lá passam. Veremos todo o processo de plantio, a limpeza da raiz, que já tem a ajuda de sua neta de três anos, e todo o processo de fabricação do produto final que é a farinha. Partiremos para Cachoeira, a mais importante localidade do Recôncavo, onde degustamos, na beira do rio, uma autêntica e perfeita maniçoba, acompanhada de caipirinha e, como sobremesa, doces caseiros de mamão, araçá, ambrosia, goiaba, pitanga. Finalizando com um licor de jabuticaba da região. Então atravessamos a ponte D. Pedro II, para, em São Félix, visitarmos a produção de charutos e a bela casa da Daneman. Começamos pela fazenda, onde é plantado e colhido o fumo. Passamos pela estocagem até a produção dos mesmos, com explanação de todo o processo de fabrico. Por fim, já na bela casa de São Felix, degustamos um belo exmplar acompanhado de um espresso. Para encerrar o passeio fomos para a Fazenda Santa Cruz. Uma chácara localizada no ponto mais alto de São Felix, onde fomo recebidos pela D. Elza, com uma bela mesa de café acompanhada de bolo e doces, em uma varanda que descortina a visão do vale com a cidade de Cachoeira, a ponte, o Paraguassu e, ainda, a barragem de Pedra do Cavalo. Dona Elza contou curiosidades da região informando, ainda, que aquela casa pertenceu e foi residência de Lauro de Freitas, que foi governador da Bahia. Semana que vem começaremos a série. Aguardem. Até semana que vem. Flavio Vitari é chef de cozinha e colunista do Correio do Brasil, sempre às sextas-feiras. Edita também as páginas: www.flaviovitari.com.br e www.clubedoschefs.com.br

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