AlckminReportagem publicada pela Folha de S.Paulo no domingo informa que o empresário brasiliense José Celso Gontijo, processado como um dos financiadores do esquema de corrupção do DEM-Brasília foi, também, o terceiro maior financiador do PSDB na disputa eleitoral este ano.
O empresário doou R$ 8,2 milhões à campanha nacional tucana. O escândalo do DEM-Brasília resultou na queda, prisão e renúncia do único governador do partido no país, José Roberto Arruda. Dono da JC Gontijo, José Celso é investigado pela Polícia Federal (PF) como um dos financiadores do propinoduto.
Ele aparece, inclusive, em uma das filmagens feitas pelo ex-secretário do DF e delator do escândalo, Durval Barbosa, que revelaram o esquema de pagamento de propina a deputados distritais aliados. Gontijo defende-se dizendo que o dinheiro que aparece na gravação era para um advogado.
Alckmin e as irregularidades próximas de José Serra
O dinheiro doado à campanha eleitoral do PSDB aparece na prestação de contas do partido no nome da mulher de José Celso, Ana Maria Baeta Gontijo. Mas, o empresário contou à Folha que foi ele mesmo que doou, apenas usou uma conta corrente que consta no número do CPF de Ana Maria.
E Geraldo Alckmin? O governador tucano eleito por São Paulo escolheu Saulo de Castro Abreu Filho, o mais polêmico e controvertido de seus ex-auxiliares para secretário de Transportes com a missão específica de implementar uma gestão "policial" na pasta, palco de frequentes denúncias de corrupção.
Ex-secretário de Segurança Pública, Saulo tem fama de truculento e entre outras polêmicas em que se envolveu destacam-se a defesa da não divulgação da lista de mortos no confronto entre a polícia e o PCC, durante os ataques deste à capital paulista; e a defesa da chamada "Operação Castelinho", que deixou 12 mortos, supostamente ligados ao PCC mas que, segundo organizações de direitos humanos, foi uma "emboscada" quando do transporte de criminosos.
Um "linha dura" para evitar corrupção nos Transportes
O futuro governador Alckmin ficou indiferente a tudo e o escolheu para secretário de Transportes dando-lhe exatamente a missão, conforme declarou à imprensa, de ser "linha dura" na Pasta para evitar corrupção em contratos e licitações. Esta preocupção foi ampliada no tucanato a partir das acusações envolvendo o ex-diretor da DERSA, Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, na gestão de José Serra.
Não falta mais nada agora: com essa nomeação, Alckmin passa recibo nas denúncias de corrupção no governo José Serra. Não é nada, não é nada, termina sendo muito.
Alckmin passando recibo da corrupção no governo do antecessor e o fato do financiador do escândalo do DEM-Brasília, José Celso Gontijo ser, também, o 3º maior doador da campanha eleitoral nacional tucana mostram bem o quanto José Serra está distante da imagem que vendeu na campanha eleitoral, de vestal que nunca se envolveu em escândalos.
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr