Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Recessão perde força no mundo com países em desenvolvimento à frente

A economia global está se recuperando da recessão com mais força do que o inicialmente previsto, com a Ásia liderando o caminho, mas há o grande risco das dívidas em países desenvolvidos e o possível superaquecimento em países como a China, avaliou a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) nesta quarta-feira. Em relatório semestral, a organização com sede em Paris elevou o prognóstico para o crescimento mundial neste ano a 4,6% e para 2011 a 4,5%. (Leia Mais)

Quarta, 26 de Maio de 2010 às 10:05, por: CdB

A economia global está se recuperando da recessão com mais força do que o inicialmente previsto, com a Ásia liderando o caminho, mas há o grande risco das dívidas em países desenvolvidos e o possível superaquecimento em países como a China, avaliou a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) nesta quarta-feira. Em relatório semestral, a organização com sede em Paris elevou o prognóstico para o crescimento mundial neste ano a 4,6% e para 2011 a 4,5%. O cenário anterior apontava expansão de 3,4% em 2010 e de 3,7% em 2011, após contração de 0,9% em 2009.

A OCDE também foi muito mais otimista sobre o mercado de trabalho global, dizendo que o pico do desemprego em seus 31 países-membros pode ter sido de cerca de 8,5% – muito menos que a previsão anterior, de quase 10%. As novas estimativas são mais altas que a taxa média de crescimento anual na década antes do início da crise financeira em 2007 --uma média de 3,7% por ano entre 1997 e 2006, de acordo com dados da OCDE--, mas a organização disse que a melhora é desigual e sujeita a riscos.

A OCDE elevou sua projeção para a expansão nos Estados Unidos em 2010 e 2011 para 3,2%, ante previsão anterior feita em novembro de 2,5 e 2,8%, respectivamente. A entidade estimou um crescimento japonês de 3% em 2010 e de 2% em 2011, números elevados ante as estimativas de novembro de, respectivamente, 1,8 e 2%. A zona do euro ficará para trás, segundo a OCDE, com expansão de 1,2% e 1,8% neste ano e no próximo, mesmo que as novas projeções sejam maiores que os crescimentos de 0,9 e 1,7% previstos em novembro.

O maior desafio que as economias avançadas enfrentam agora é reduzir as dívidas pós-recessão e conter a instabilidade do mercado financeiro que se espalhou a partir da Europa recentemente. Isso requer medidas de austeridade fiscal que são vitais, mas que devem prejudicar o crescimento econômico. Também é necessário desacostumar as economias das taxas de juros baixíssimas e dos auxílios estatais estabelecidos durante a crise.

– O desafio de política econômica global, para amenizar um pouco, é complicado – disse o economista-chefe da OCDE, Pier Carlo Padoan, em entrevista à agência inglesa de notícias Reuters.

Altos e baixos

A OCDE destacou uma ameaça bem diferente a economias emergentes, como China, Índia e Brasil, dizendo: "Um cenário de ciclos de crescimento e queda não pode ser descartado, exigindo um aperto muito maior de política monetária em alguns países fora da OCDE, como a China e a Índia, para combater pressões inflacionárias e reduzir o risco de bolhas de ativos".

Na China, a OCDE prevê crescimento econômico de 11,1% neste ano e de 9,7% em 2011, dizendo que há o perigo de que as medidas para esfriar o mercado imobiliário e controlar o preço de terrenos não eliminarão o risco de superaquecimento. Em novembro, a OCDE previa expansão chinesa de 10,2% em 2010 e de 9,3% em 2011. O relatório da organização também espera que o comércio global cresça 10,6% em 2010 e 8,4% em 2011, após queda de 11% em 2009.

"O forte crescimento nas economias dos mercados emergentes está contribuindo de forma significativa", disse a OCDE. A maioria dos 31 países-membros da organização é de economias desenvolvidas.

"O efeito do crescimento na Ásia fora da OCDE pode ser mais forte que o esperado, especialmente sobre os Estados Unidos e o Japão. Nesse ponto de vista, o ambiente em geral é relativamente auspicioso."

Crescimento forte

Ainda segundo o relatório, Brasil, China, Índia e Rússia estão crescendo fortemente, elevando suas previsões para as quatro grandes economias emergentes. No Brasil, os investimentos em infraestrutura ajudarão o crescimento novamente, apesar da política monetária mais apertada e do início de cortes de gastos. A OCDE projeta uma expansão econômica brasileira de 6,5% neste ano, ante prognóstico anterior de 4,8%. Para 2011, a estimativa é de avanço de 5%.

A OCDE alertou que o superaquecimento pode ser um problema na China e pediu por aumento de juros e um câmbio mais flexível. A entidade prevê para o país um crescimento de 11,1% em 2010 e de 9,7% em 2011. Com a esperada retomada da produção agrícola na Índia, o crescimento lá deve ser forte no curto prazo, segundo a entidade. A expansão neste ano deve ser de 8,2% e no próximo, de 8,5%,

A Rússia deveria usar as receitas petrolíferas para eliminar o déficit fiscal mais rapidamente, avaliou a OCDE, que prevê um crescimento de 5,5% em 2010 e de 5,1% em 2011.

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