Um prolongado cliclo recessivo, acompanhada de uma forte desaceleração dos preços de combustíveis, jogou a inflação na zona do euro em dezembro para o menor nível em 26 meses, mostraram dados nesta quinta-feira. Os números foram divulgados ao mesmo tempo em que o Banco Central Europeu (BCE) resolveu cortar a taxa de juro novamente, em meio ao aprofundamento da recessão. A inflação nos 15 países que adotam o euro foi de 1,6% em dezembro, na comparação anual, abaixo dos 2,1% de novembro, e bem inferior à meta do BCE de pouco menos de 2%, confirmou a agência de estatísticas europeia Eurostat. Mês a mês, os preços ao consumidor caíram 0,1%, como esperado por economistas em uma pesquisa da agência inglesa de notícias Reuters.
O BCE cortou nesta quinta-feira a taxa de juros na chamada zona do euro em 0,5 ponto percentual, chegando a 2% - o menor nível desde dezembro de 2005. Esta é a quarta redução consecutiva da taxa desde setembro, quando ela estava em 4,25%, em uma tentativa de incentivar a economia dos países que adotaram a moeda comum européia. Segundo dados oficiais, essas nações estão em recessão desde setembro. O corte na taxa também afetou a Eslováquia, que neste mês se tornou o 16º país a adotar o euro.
Inflação alemã
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Na Alemanha, a inflação desacelerou para 1,1% em dezembro, na comparação com o mesmo período do ano anterior, informou, pela manhã, a agência federal de estatísticas do país, confirmando os dados preliminares divulgados no mês passado. Na média, a inflação ao consumidor alemão ao longo de 2008 foi de 2,6%, a maior variação desde 1994.
Mas os preços passaram a desacelerar no final do ano, à medida em que os custos de energia e alimentos decresceram. Com a inflação em queda e os riscos de recessão na zona do euro aprofundando, o Banco Central Europeu (BCE) cortou a taxa básica de juro da região pelo quarto mês consecutivo, levando o índice aos menores níveis em uma década. A maioria dos economistas já apostava que o BCE iria cortar o juro de 2,5%, entre 0,25 e 0,50 ponto percentual.
Crise além-mar
Nos EUA, o JPMorgan Chase sofreu uma queda de 76% no lucro trimestral, depois que registrou baixas contábeis relativas a empréstimos e reservou mais dinheiro para cobrir perdas com crédito após a compra das operações bancárias do Washington Mutual, em setembro. O JPMorgan divulgou lucro líquido no quarto trimestre de US$ 702 milhões, ou US$ 0,07 por ação, queda ante os US$ 3 bilhões, ou US$ 0,86 por ação, obtidos um ano antes. A receita recuou 0,9%, para US$ 17,2 bilhões, após US$ 17,4 bilhões na mesma comparação.
A aquisição do Washington Mutual, maior banco norte-americano a entrar em colapso, aumentou a exposição do JPMorgan ao crédito ao consumidor. O presidente-executivo, Jamie Dimon, alertou investidores várias vezes no quarto trimestre sobre os efeitos do agravamento da recessão e aumento do desemprego sobre o banco. As ações da instituição acumulam queda de 17,9% este ano, ante recuo de índice do setor de 19,2%.
Em 2008, as ações do JPMorgan despencaram 27,8%, ante um declínio de 50% do índice setorial.