Rio de Janeiro, 10 de Maio de 2026

Rebeliões em dois presídios assustam paraibanos

Quinta, 08 de Setembro de 2005 às 08:44, por: CdB

As rebeliões nos presídios do Roger e Sílvio Porto, em João Pessoa, na Paraíba, envolveu cerca de 1.750 detentos desde a tarde de quarta-feira.

Os presos exigem a troca da direção e o fim da revista íntima nas duas unidades.

A rebelião no presídio do Roger começou quando a mulher de um dos detentos foi flagrada tentando entrar no local com um telefone celular e 37g de crack na vagina.

Cem mulheres estavam no local para a visita íntima e foram mantidas dentro das celas. A unidade abriga 950 pessoas.

Poucas horas depois, os presos do Sílvio Porto --que tem 800 detentos-- também iniciaram um motim. Setenta mulheres ficaram impedidas de sair.

A Secretaria de Cidadania e Justiça, que administra as cadeias, acredita que não houve articulação entre os presos, apesar de eles terem telefones celulares.

Durante toda a tarde, detentos ligaram para rádios e emissoras de televisões de João Pessoa.

Durante o tumulto, três pavilhões de cada um dos presídios foram incendiados. Ao todo, cinco funcionários ficaram feridos.

As negociações são conduzidas pelo próprio secretário da Cidadania e Justiça, Pedro Adelson Guedes dos Santos.

As conversas haviam sido interrompidas às 17h de ontem, mas retomadas na manhã desta quinta-feira. Um promotor e um juiz de execuções penais participam das negociações.

De acordo com a secretaria, as reivindicações dos presos não serão atendidas.

Na semana passada, presos da Penitenciária Regional de Campina Grande, também na Paraíba, mantiveram 115 pessoas reféns por cerca de 48 horas.

O motim começou depois do anúncio da transferência de 200 homens. Os presos exigiam a mudança da direção da penitenciária e reclamavam da falta de produtos de higiene e comida.

O presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Edísio Simões Souto, relatou, nesta quinta-feira, ao presidente nacional da OAB, Roberto Busato, as rebeliões em curso nos presídios do Róger e Sílvio Porto, em João Pessoa (PB), além de ameaça de revolta na cadeia pública de Rio Tinto.

Edísio manifestou a preocupação da CNDH com os desdobramentos das rebeliões, que começaram na quarta-feira, e suas conseqüências para as vidas dos reféns feitos pelos prisioneiros.

Segundo Edísio Souto, as rebeliões começaram com a prisão de uma mulher que fora visitar um detento no Presídio do Róger, nesaa quarta-feira, e foi flagrada portando um celular e droga nas partes íntimas.

Em conseqüência, as visitas foram canceladas e imediatamente estourou a revolta entre os presos. Informados da rebelião, os detentos do Sílvio Porto, em Mangabeira, imediatamente se amotinaram fazendo diversos reféns, entre eles estupradores que estão custodiados.

Os rebelados exigem, entre outros pontos, a demissão do secretário de Administração Penitenciária do Estado, Pedro Adelson.

O presidente da CNDH alertou para a necessidade de uma solução negociada no sentido de poupar vidas humanas em jogo, pedindo prudência e cautela às autoridades.

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