Mesmo que todo o noticiário dos últimos dias esteja concentrado na tragédia do Japão, na visita do presidente Barack Obama ao Brasil e na determinação dos Estados Unidos e das potências a ele aliadas de depor o presidente da Líbia, Muamar Kaddhafi, os países árabes e do Oriente Médio continuam um barril de pólvora, com rebeliões que só recrudescem e se alastram na região.
A situação é extremamente grave no Iêmen e a onda de protestos chegou há uma semana à Síria. O governo do Iêmen decretou estado de emergência ontem, pior dia de violência durante os protestos contra o governo no país, iniciados há um mês. Atiradores abriram fogo contra manifestantes na capital, Sanaa, mataram 46 pessoas e, segundo médicos que atenderam as vítimas, deixaram cerca de 200 pessoas feridas.
"Houve um massacre. A maior parte dos tiros partiram do alto de prédios e miraram cabeças e ombros. Eram atiradores treinados que estavam tentando matar as pessoas, e não (somente) feri-las", disse à BBC de Londres o jornalista iemenita Hakim Almasmari, que testemunhou o protesto.
Na 4ª feira, outras 120 pessoas, pelo menos, ficaram feridas durante manifestações contra o governo ocorridas na cidade de Hudaida, no Oeste do país. No Bahrein, invadido por tropas da Arábia Saudita e do Qatar, com apoio dos EUA, a repressão ocupou a praça central dos protestos na capital e destruiu um monumento-símbolo das manifestações da oposição.
Protestos eclodem também na Síria
Na Síria, forças de segurança entraram em confronto ontem com manifestantes na cidade de Daara, a 100 km ao Sul da capital, Damasco. Duas pessoas morreram no confronto. O governo informou que suas tropas tiveram que intervir no protesto após atos de violência e vandalismo.
Mas, testemunhas têm outra história: o que ocorreu, contam, foram choques violentos entre a polícia e os manifestantes, que pediam o fim da corrupção e mais liberdade no país. Nos últimos dias, vídeos na internet registram protestos em outras cidades da Síria, iniciados há pelo menos uma semana.
De acordo com notícia do site de oposição Free Syria, um funcionário da empresa de telecomunicações do país confirmou que autoridades sirias determinaram que as comunicações fossem cortadas nas áreas onde acontecem manifestações.
O governo quer que os protestos não venham a público e que prevaleça a sua versão de que reprime atos de violência e vandalismo, sem conotação política (leiam o post acima "A ONU vai intervir pró-oposição em outros países?").