Comissão de Negociação liderada pelo secretário de Justiça e Direitos Humanos, Sérgio Sanches, não chegou a um acordo com a liderança do motim no Presídio Salvador (antiga Casa de Detenção), no Complexo Penitenciário do Estado, no bairro de Mata Escura, informou A Tarde. Segundo a coordenadora de Comunicação Social da PM, Tenente Paula Magalhães, que recebeu informações de componentes da Comissão, os rebelados não chegaram a um consenso quanto ao que desejam reivindicar.
As negociações foram suspensas por volta das 21h desta segunda, e continuam a partir das 9h da terça-feira. Os 720 internos mantêm três reféns - um visitante, um agente policial e um outro preso. Os demais familiares e amigos dos detentos, entre eles mulheres, inclusive grávidas, velhos e crianças, permanecem dentro do presídio por vontade própria desde esta segunda-feira.
No final da manhã desta segunda-feira, o fornecimento de água foi interrompido e suspensa a alimentação, mas a situação já foi normalizada. Os visitantes que ficaram retidos durante o motim agora não querem sair, temendo violência contra os rebelados.
Só depois das 11h, o assessor da Secretaria de Justiça, Ronaldo Brito, compareceu ao portão principal do presídio para as primeiras informações. Disse que naquele momento estavam reunidos representantes da Secretaria de Justiça, da Vara de Execuções Penais, do Ministério Público e da Ordem dos Advogados do Brasil na tentativa de resolver o impasse, mas que faltavam representantes do internos para dizer o que realmente queriam.
Sobre a condição dos internos e dos visitantes que passaram a noite no presídio, disse que não podia falar a respeito, mas garantiu que a situação estava calma e que as visitas não deixaram o pavilhão porque não quiseram, já que não tiveram o acesso de saída negado.
Mais cedo, um grupo de cerca de 30 familiares de presos e reféns demonstrava aflição com a falta de notícias, do lado de fora do Presídio. O mais angustiado era Valdemar Novaes, o pai de Vanusa Bastos Novaes, 18 anos, grávida de sete meses e retida quando visitava o companheiro.
Havia também familiares dos presos que fizeram a rebelião no Corpo 2 na Penitenciária Lemos Brito que teriam sido espancados quando eram transferidos.
Os amotinados do Presídio Salvador querem a volta das visitas às quintas-feiras, colocação de TV e rádio no pavilhão, o direito de receber alimentos levados pelos familiares - regalias que foram suspensas há um ano depois da última rebelião que acabou com a morte da agente penitenciária Miriam Tereza Guimarães, durante uma tentativa de fuga.
A rebelião do Presídio Salvador começou quando terminava a do Corpo 2 da Penitenciária Lemos Brito, no mesmo Complexo Penitenciário, por volta das 11h20 deste domingo.