Rio de Janeiro, 11 de Agosto de 2026

Rebelião na Líbia anuncia controle de cidade no leste do país

Manifestantes antigoverno tomaram o controle da cidade de Bayda, no leste da Líbia, depois de terem recebido o apoio da polícia local, disseram nesta sexta-feira dois diferentes grupos de exilados líbios.

Sexta, 18 de Fevereiro de 2011 às 10:58, por: CdB
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Manifestantes antigoverno tomaram o controle da cidade de Bayda, no leste da Líbia, depois de terem recebido o apoio da polícia local, disseram nesta sexta-feira dois diferentes grupos de exilados líbios. – Al Bayda está nas mãos do povo – afirmou à agência inglesa de notícias Reuters Giumma el-Omami, do Grupo Líbio de Solidariedade aos Direitos Humanos. Os relatos não puderam ser confirmados com fontes independentes. – A cidade está fora do controle do regime de (Muammar) Gaddafi – acrescentou Fathi al-Warfali, do Comitê Líbio da Liberdade e Justiça. Os dois grupos baseiam-se em seus contatos telefônicos com a cidade, de 250 mil habitantes. Exército nas ruas O regime líbio colocou o Exército nesta sexta-feira nas ruas de Benghazi, segunda maior cidade da Líbia, onde milhares de pessoas protestaram durante a madrugada por causa da morte de 20 manifestantes pelas forças de segurança. A instituição norte-americana Human Rights Watch disse que, segundo suas fontes no país, pelo menos 24 pessoas foram mortas na repressão de quarta e quinta-feira a protestos contra o regime de Muammar Gaddafi, no poder desde 1969. Um morador da rua Nasser, a principal de Benghazi, disse à agência inglesa de notícias Reuters na manhã desta sexta-feira que a cidade estava calma, sem manifestações. – A noite passada foi muito dura, havia muita gente na rua, milhares de pessoas. Vi soldados na rua. Ouvi tiros, vi uma pessoa cair, mas não tenho número de vítimas – disse. Outra testemunha afirmou à rádio britânica BBC que os médicos contaram dez cadáveres depois dos confrontos em Benghazi, que fica a cerca de mil quilômetros de Trípoli, a capital. Outro morador da cidade afirmou à Reuters que teve contato com pessoas na vizinha localidade de Bayda, e que "o confronto entre manifestantes e seguidores de Gaddafi continua, alguns policiais se irritaram, e há muitos mortos". Fontes locais haviam dito anteriormente à Reuters que pelo menos cinco pessoas foram mortas em Bayda. O morador declarou também que o empresário Saadi Khadaffi, filho do ditador, falou na rádio local que iria a Benghazi assumir o cargo de prefeito e proteger a população. Saadi Gaddafi detém uma alta patente militar e chegou a jogar futebol profissionalmente na Itália. Uma fonte oficial em Benghazi disse, pedindo anonimato, que os confrontos durante a noite ocorreram na região da ponte Giuliana. – Tudo agora está sob controle. As forças de segurança estão em toda a cidade, e Benghazi está controlada por Saadi – disse a fonte. Enterro dos corpos Os manifestantes mortos devem ser enterrados na sexta-feira em Benghazi e Bayda, o que pode catalisar novos protestos. Na véspera, houve mortes em várias cidades da região depois de a oposição convocar um "Dia de Fúria" contra Gaddafi, inspirado nas recentes revoluções que derrubaram ditadores nos vizinhos Egito e Tunísia. Protestos como esse são raros na Líbia, e o rígido controle sobre a imprensa e as telecomunicações dificulta avaliar a extensão do movimento e da repressão. Na sexta-feira, relatos não confirmados em redes sociais davam conta de até 50 mortos. As autoridades não se manifestaram oficialmente. A oposição reivindica liberdades políticas, respeito aos direitos humanos e o fim da corrupção. Gaddafi costuma dizer que os líbios vivem numa verdadeira democracia. Analistas consideram que o regime líbio tem possibilidade de usar os dividendos do petróleo para aplacar descontentamentos sociais e reduzir as chances de que o país tenha uma revolução como a egípcia.
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