Os rebeldes que marchavam para Porto Príncipe chegaram à capital do Haiti na tarde desta segunda-feira e não encontraram resistências. As tropas leais ao presidente Jean-Bertrand Aristide já haviam se dispersado neste domingo com a notícia de sua renúncia. A população de Porto Príncipe recebeu as milícias com salvas de palmas e gritos de vitória. Apesar da entrada triunfal, os líderes rebeldes informaram que não pretendem invadir o palácio do governo e que respeitam o presidente interino. Tropas do Canadá e dos EUA já estão chegando ao país.
Os rebeldes desfilaram em torno do Palácio Nacional, sede do governo, no coração de Porto Príncipe. Os líderes das duas principais facções rebeldes haitianas, Guy Philippe e Louis Jodel Chamblain, prometeram não tomar o palácio e pôr fim à revolta armada iniciada há 24 dias.
Eles reiteraram apoio à Presidência interina de Boniface Alexandre, assim como à transição pacífica de poder no país. Não havia sinais de forças pró-Aristide, que lutaram contra os rebeldes até a renúncia e a partida do mandatário para um exílio aparentemente na África, no domingo.
Um comboio de picapes e veículos utilitários corria pelas ruas da capital, aos gritos de centenas de civis, que acenavam com bandeiras e faziam o V da vitória. Guy Philippe, ex-chefe da polícia haitiana (destituído por Aristide) era um dos mais festejados.
Nos arredores da capital, fuzileiros navais americanos garantiam a segurança do principal aeroporto do país, no início de sua missão para restaurar a ordem. Saques e tiroteios explodiram na capital logo após a saída de Aristide neste domingo. Ao contingente de quase 200 fuzileiros americanos se juntaram cem soldados franceses. Estima-se que cerca de mil fuzileiros sejam enviados ao país.
Política
Washington tenta fazer com que o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Boniface Alexandre, que assumiu o poder com a partida de Aristide, trabalhe com o premier, Yvon Neptune, para formar um conselho de haitianos proeminentes, que segundo fontes do Departamento de Estado americano governaria o país de forma interina.