Rio de Janeiro, 17 de Outubro de 2026

Rebeldes líbios terão de superar divisões em possível transição

Quinta, 18 de Agosto de 2011 às 10:20, por: CdB

Rebeldes líbios terão de superar divisões em possível transição

Por Robert Birsel

BENGHAZI, Líbia (Reuters) - Os opositores de Muammar Gaddafi conseguiram formar uma aliança remendada e, com ajuda suficiente da Otan, combater as forças do líder líbio rumo ao que aparenta ser uma iminente vitória.

Agora, a parte mais difícil pode estar para começar: o Conselho Nacional de Transição (CNT) poderá ter de assumir em breve o comando da Líbia, se Gaddafi for deposto.

O conselho não conseguiu afastar os temores sobre sua habilidade de governar, muito menos de se manter unido, no país petrolífero inundado de armas. A oposição pode enfrentar divisões tribais e regionais e uma crescente islamização.

Reconhecido como a autoridade legítima da Líbia por mais de 30 países, o CNT afirma estar pronto para liderar o país, no caminho da estabilidade e da democracia.

"É claro que estamos prontos para assumir", disse o chefe do comitê político do CNT, Fatih Baja, à Reuters. "Estamos nos preparando para isso desde o primeiro mês da revolução."



O CNT é um grupo composto de elementos díspares da oposição à Gaddafi que emergiu em fevereiro, depois dos protestos nos vizinhos Tunísia e Egito, e inclui ex-autoridades do governo de Gaddafi.

O conselho é sediado em Benghazi e opera a partir de hotéis e casas na maior cidade do leste da Líbia, que parece mais uma localidade tranquila à beira-mar do que o centro de uma revolução.

Diante da perspectiva da saída de Gaddafi depois de 41 anos de um governo autoritário, eles precisam criar um comando militar temporário que tenha um plano para assumir rapidamente o controle da capital, Trípoli, disse Baja.

"A segurança está no topo da lista, para controlar Trípoli militar e socialmente", afirmou.

Mas analistas temem que os problemas poderiam começar assim que o som das comemorações se dissipar.

"O que está unindo o CNT é Gaddafi. Quando Gaddafi se for, eles entrarão em conflito", disse um analista do Oriente Médio que não quis ser identificado.

Desacordos já ocorrem entre a força militar retalhada dos rebeldes, com cadeias de comando mal definidas e bases que respeitam diferentes chefias nas facções.

Antigas divisões regionais também devem surgir, exacerbadas pela percepção de que os rebeldes nas montanhas do Oeste e da cidade central de Misrata vêm realizando os combates mais difíceis enquanto os líderes em Benghazi se aproveitaram do cenário de paz durante meses.

Um problema que os rebeldes não devem enfrentar é a renda. Com uma população de apenas 6 milhões de pessoas e as maiores reservas de petróleo da África, o padrão de vida do país deveria ser equivalentes ao de Dubai.

Reuters

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