Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Rebeldes líbios dizem estar a só 80 km de Trípoli

Segunda, 27 de Junho de 2011 às 04:23, por: CdB
gaddafi2-300x169.jpg
Os rebeldes líbios que tentam derrubar Muammar Gaddafi já estão a apenas 80 quilômetros da capital, disse um porta-voz deles à agência inglesa de notícias Reuters na segunda-feira. Se confirmado, terá sido o maior avanço da oposição em várias semanas. Na vizinha Tunísia, três ministros líbios, inclusive o chanceler, travam discussões com "partes estrangeiras", segundo relato da agência estatal de notícias tunisiana. Os rebeldes, que têm como reduto as Montanhas Ocidentais, a sudoeste de Trípoli, estão lutando contra as forças pró-Gaddafi para assegurarem o controle da localidade de Bir al Ghanam, o que representa um avanço de cerca de 30 quilômetros para o norte em relação à sua posição anterior, disse o porta-voz à Reuters. – Estamos na periferia sul e oeste de Bir al Ghanam. Houve batalhas por lá na maior parte deste domingo. Alguns dos nossos combatentes foram martirizados, e eles (forças governamentais) também sofreram baixas, e capturamos equipamentos e veículos. Está tranquilo lá hoje, e os rebeldes ainda estão nas suas posições – disse o porta-voz rebelde Juma Ibrahim, falando por telefone da vizinha cidade de Zintan. Um repórter da Reuters no centro de Trípoli ouviu pelo menos duas explosões ruidosas no domingo. A localização das explosões não ficou clara, mas uma coluna de fumaça podia ser vista na direção do complexo governamental de Bab al Aziziyah. Juízes do Tribunal Penal Internacional decidiram na segunda-feira atender a um pedido dos promotores para emitir mandados de prisão contra Gaddafi, seu filho Saif al Islam e seu cunhado Abdullah al Senussi. Os rebeldes - que têm apoio aéreo da Otan - enfrentam as forças de Gaddafi desde o final de fevereiro, quando milhares de pessoas se rebelaram contra o regime dele, que já dura 41 anos. O governo reprimiu violentamente os distúrbios, e a revolta se tornou a mais sangrenta na atual onda de revoluções que varre o Oriente Médio, e que ficou conhecida com Primavera Árabe. Os rebeldes líbios controlam o leste do país e alguns enclaves no oeste líbio, e já fazia semanas que eles não conseguiam avanços significativos, ao mesmo tempo em que os bombardeios da Otan se mostram incapazes de desalojar Gaddafi. Analistas dizem que um avanço dos rebeldes nos arredores da capital poderia inspirar uma rebelião de grupos anti-Gaddafi que estão dentro de Trípoli, um fator que muitos acreditam seria decisivo para depor o regime. Bombardeio aprovado A Chancelaria da Itália manifestou nesta segunda-feira que a sentença do Tribunal Internacional de Justiça, em Haia, contra o ditador líbio, Muammar Gaddafi, legitima a missão militar que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) tem realizado na Líbia. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores da Itália colocou que "a decisão pronunciada hoje pela Corte de Haia confirma a grave responsabilidade de Gaddafi, de seu filho Saif (al-Islam) e de seu genro (Abdallah) Al Senussi pelos homicídios e as perseguições cometidas pelas forças armadas líbias contra os opositores ao regime (iniciados) a partir de 15 de fevereiro, em particular em Trípoli, Benghazi e Misurata. Ações que ficaram na categoria dos crimes contra a humanidade". "O pronunciamento do Tribunal Internacional de Justiça sobre a comprovada responsabilidade de Gaddafi legitima finalmente a absoluta necessidade e o alto valor da missão humanitária da Otan na Líbia, sob mandato da ONU (Organização das Nações Unidas)", expressou a diplomacia italiana. Os bombardeios aéreos, argumenta a nota, insere-se no "quadro da 'responsabilidade' de proteger que cabe à comunidade internacional na emergência humanitária provocada por atos de repressão de ditadores contra seu próprio povo". O comunicado indica ainda que "a Itália continuará coerentemente seu próprio emprenho na missão internacional para abrir o caminho para uma solução política da crise líbia, para fazer uma Líbia democrática e unida, sem Gaddafi". "A decisão confirma que Gaddafi perdeu qualquer legitimidade, moral antes que política, nos confrontos do povo líbio, diante da comunidade internacional e que, portanto, não pode ter nenhum cargo para desenvolver no papel da futura Líbia". Diferente da França e da Grã-Bretanha, que defenderam desde os primeiros confrontos entre governo e oposição na Líbia uma intervenção armada da Otan, as autoridades italianas demoraram a se incorporar na ação da coalizão internacional. As primeiras colaborações militares da Itália foram por meio da concessão de bases militares do país para os aviões que bombardeariam alvos militares no país norte-africano. Em 17 de março, o Conselho de Segurança (CS) da ONU aprovou uma resolução que estabelecia uma zona de exclusão aérea na Líbia, autorizando ataques internacionais por ar, terra e mar para que as forças do país parassem de bombardear com aviões os opositores líbios. A Chancelaria italiana expressou "satisfação" pelo que considerou como "rapidez e seriedade" do Tribunal Internacional de Justiça, que teria dado "execução ao mandato conferido pelo Conselho de Segurança [CS, da ONU] com a resolução 1970 sobre a situação na Líbia a partir de 15 de fevereiro", data em que o governo líbio passou a reprimir os manifestantes antigoverno. Em nota, a diplomacia italiana afirmou ainda ter "provas", incluindo "imagens e testemunhas da crueldade perpetrada por Gaddafi contra o próprio povo".
Tags:
Edições digital e impressa